A hermenêutica filosófica de Gadamer e sua contribuição para o constitucionalismo democ´rático

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Palavras-chave:

Gadamer, hermenêutica filosófica, tradição, constitucionalismo, interpretação jurídica

Resumo

A hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer representa uma virada no modo de compreender o conhecimento e a interpretação. Em Verdade e Método, o autor rompe com o paradigma positivista das ciências naturais ao afirmar que toda compreensão é histórica e mediada pela tradição. Influenciado por Heidegger, Gadamer entende que o ser humano é um ser histórico, cuja relação com o mundo se dá por meio de pré-compreensões e horizontes de sentido. Sua concepção de “fusão de horizontes” expressa a ideia de que o entendimento ocorre no diálogo entre passado e presente, entre intérprete e texto.

Essa perspectiva tem implicações diretas para o campo jurídico. A interpretação constitucional, sob a ótica gadameriana, não é mera aplicação técnica da lei, mas um processo histórico e dialógico em que o intérprete participa da construção do sentido jurídico. Conforme Ernane Salles da Costa Junior (2020), o constitucionalismo é um tecido de tradições políticas e jurídicas que se atualizam continuamente. Em diálogo com Paul Ricoeur, a hermenêutica crítica permite compreender o Direito como promessa em constante realização, voltada à efetivação dos direitos fundamentais e à consolidação democrática.

Assim, a filosofia hermenêutica de Gadamer oferece ao Direito uma compreensão ética e política da interpretação, na qual o intérprete se reconhece como parte da tradição, mas também responsável por sua renovação. O constitucionalismo democrático, à luz dessa abordagem, torna-se um projeto histórico de justiça em permanente reconstrução.

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Biografia do Autor

Patricia Miranda Pereira, UEMG

Patrícia Miranda Pereira Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), onde obteve aprovação com nota máxima e foi convidada para o mestrado, onde iniciou estudos em Processo Civil. Licenciada em História e filosofia, atualmente, cursa Mestrado em Segurança Pública e Cidadania pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).

Possui diversas pós-graduações, incluindo Direito das Famílias, Direito Imobiliário, Mediação, Conciliação e Arbitragem, Docência em Teologia e Filosofia, Docência em Direitos Humanos e Ressocialização, além de Política e Gestão em Segurança Pública. 

Com forte atuação jurídica, Patrícia tem experiência em advocacia privada, sendo parceira da CCMA/MG e voluntária na OSCIP ABRAÇA-ME. Seu percurso inclui estágios no TJMG, como conciliadora, no SETCEMG (Direito Trabalhista) e na CODEMIG, onde atuou na área administrativa e de licitações.

Seu portfólio acadêmico e profissional se estende a publicações em veículos como a Revista TRF1 e o Jornal Hoje em Dia, abordando temas como constitucionalismo, direito de família e licitações. Além disso, possui certificações internacionais, como especialização pela Harvard University em proteção infantil e um curso de gestão de pessoas pela Universidad de Córdoba.

Fluente em inglês e espanhol, Patrícia também tem formação técnica em Web Design e Radialismo e participa ativamente de projetos de tradução e coordenação de equipes multilíngues na plataforma VIKI.

Referências

COSTA JUNIOR, Ernane Salles da. Constitucionalismo e hermenêutica crítica da consciência histórica: Ricoeur, leitor de Gadamer. Revista de Informação Legislativa, Brasília, v. 57, n. 228, p. 165-178, out./dez. 2020.

GADAMER, Hans-Georg. Verdade e método: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

GADAMER, Hans-Georg. O problema da consciência histórica. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2003.

RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. Campinas: Papirus, 1997.

RICOEUR, Paul. A crise da consciência histórica e a Europa. Lua Nova, São Paulo, n. 33, p. 87-95, 1994.

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Publicado

01-08-2025