Significando legitimidades na luta anticolonial angolana: O caso Nhyakatolo Chissengo, símbolo feminino da cultura de um povo
DOI:
https://doi.org/10.22456/1983-201X.142708Palabras clave:
Angola, luta anticolonial, rainha Nhyakatolo ChissengoResumen
Durante a luta anticolonial, as autoridades portuguesas procuraram estabelecer acordos de colaboração com as chefias tradicionais das comunidades situadas nas zonas rurais de Angola. Muitas dessas lideranças, inseridas em estruturas hierárquicas tradicionais, encontravam-se em posição estratégica de mediação entre as populações locais, os movimentos de libertação e as instituições do Estado português. Assim, por meio de um jogo duplo, buscavam reconfigurar e fortalecer o seu capital político. É nesse contexto de disputas que, por exemplo, na província do Moxico, personalidades como a rainha Nhyakatolo Chissengo foram mobilizadas pela administração e pelo comando militar portugueses com o objetivo de sensibilizar sobas, lundas e luenas. Pretende-se, portanto, demonstrar que o aparato e as estruturas tradicionais não podem ser desconsiderados, pois constituem um campo de disputas e negociações. Do ponto de vista metodológico, a análise concentra-se, sobretudo, no exame de documentos preservados no Arquivo Nacional da Defesa (ATD), em Lisboa, especialmente nas fontes do Ultramar referentes ao período de 1950 a 1975. Neste artigo, sem perder de vista o debate historiográfico sobre as mulheres e a luta de independência, busca-se evidenciar um episódio histórico que exemplifica uma série de arranjos
considerados subversivos e que, direta ou indiretamente, asseguraram a presença de mulheres angolanas na luta anticolonial.
