A formação das jovens no Graal Português na década de 1960
DOI:
https://doi.org/10.22456/1983-201X.139757Palabras clave:
Gênero, Catolicismo, história das mulheres, JuventudeResumen
O presente artigo analisa a atuação do Movimento do Graal em Portugal nos anos finais do Estado Novo, com especial atenção às relações estabelecidas entre Estado, Igreja Católica e laicado feminino. A partir de uma abordagem histórica que articula escalas nacional e internacional, o estudo contextualiza o surgimento do Graal no país à luz das transformações do catolicismo no século XX, das diretrizes da Ação Católica e do impacto do Concílio Vaticano II. Destaca-se o papel central de Maria de Lourdes Pintasilgo na fundação e consolidação do movimento, bem como a sua trajetória no interior das estruturas do Estado Novo e da militância católica. O artigo examina as práticas formativas do Graal, sobretudo aquelas direcionadas às raparigas universitárias, incluindo programas residenciais, campos de férias, projetos de promoção humana, alfabetização e conscientização, evidenciando uma concepção de apostolado que integrava formação espiritual, engajamento social e protagonismo feminino. Argumenta-se que, embora o Graal operasse dentro de determinados limites impostos pela hierarquia eclesiástica e pela ordem social vigente, o movimento contribuiu para a construção de espaços de autonomia relativa para as mulheres, ampliando as possibilidades de participação feminina na Igreja e na sociedade portuguesa. Assim, o estudo propõe uma leitura que enfatiza a complexidade e a pluralidade das experiências católicas femininas durante o Estado Novo, evitando interpretações homogêneas ou dicotômicas sobre as relações entre Igreja e regime.
