O PODER CORPORATIVO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA:

o caso de uma escola de ensino médio em Alto Hospicio, Chile

Autores

Palavras-chave:

poder corporativo, educação pública, Alto Hospício, privatização.

Resumo

Este artigo analisa a privatização da educação pública, um processo consolidado desde a década de 1990 que transformou a organização e o propósito dos sistemas educacionais. Destaca o crescente papel de atores privados (corporações, grupos filantrópicos) que, por meio de parcerias público-privadas, influenciam a agenda educacional, atuando como “formuladores de políticas” dentro de uma complexa rede educacional global. O caso do Chile é particularmente paradigmático. A privatização estabeleceu uma lógica de mercado, evidenciada no sistema de escolas subsidiadas e na prestação privada de serviços básicos. Um novo fenômeno que emergiu recentemente é a gestão direta de escolas públicas por fundações ligadas a grandes corporações, como é o caso no município de Alto Hospício. Este município apresenta altos índices de vulnerabilidade, pobreza, superlotação e poluição. Sua oferta educacional é predominantemente privada (88,3% das matrículas) por meio de escolas subsidiadas, com apenas duas escolas públicas desde sua criação. Uma dessas escolas, o Liceu Bicentenário Juan Pablo II, é coadministrada desde 2012 pela Fundação Educacional Collahuasi, ligada a grandes empresas mineiras transnacionais, e pela SNA Educa da Sociedade Nacional Agropecuária, por meio de sucessivos acordos público-privados formalizados em um modelo de cogestão legalmente reconhecido. Conclui-se que essa aliança representa uma forma avançada de privatização, na qual os atores corporativos não apenas prestam serviços, mas também definem o projeto educacional e o currículo de um espaço público de ensino, orientando a formação para as necessidades da indústria. Essa situação, longe de ser acidental, permite uma “captura corporativa” da educação pública, utilizando o capital de risco como estratégia de investimento. Ressalta-se a necessidade de debater os limites da participação privada na gestão escolar e sugere-se a realização de pesquisas etnográficas futuras para compreender as experiências da comunidade educacional em relação a esse modelo.

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Biografia do Autor

Diego Parra Moreno, Universidad Autónoma de Chile (UCh-Chile)

Pesquisador do Programa de Equipes de Psicologia e Educação da Universidade do Chile

Juan Alejandro González López, Universidad de Chile (UCh-Chile)

Pesquisador do Programa de Equipes de Psicologia e Educação da Universidade do Chile.

Publicado

2026-07-15

Como Citar

Parra Moreno, D., & Alejandro González López, J. (2026). O PODER CORPORATIVO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA: : o caso de uma escola de ensino médio em Alto Hospicio, Chile. Políticas Educativas – PolEd, (1). Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/Poled/article/view/154848