O PROFESSOR COMO TRABALHADOR ALIENADO:

Sistemas Apostilados de Ensino, Relação Capital-Trabalho e Desintelectualização Docente

Autores

Palavras-chave:

sistemas apostilados de ensino; trabalho docente; alienação; desintelectualização; Gravataí.

Resumo

O presente artigo tem por objetivo analisar o papel do professor frente aos sistemas apostilados de ensino. A partir do referencial teórico marxista e da teoria crítica da educação, investiga-se como a introdução de Sistemas Privados de Ensino (SPE) na rede pública redefine a função docente, transformando o professor em um executor de tarefas previamente planejadas e retirando-lhe a autonomia pedagógica, intelectual, colaborativa e criativa. O estudo toma como referência empírica a implementação do Sistema Aprende Brasil no município de Gravataí/RS (2014–2021), evidenciando as tensões entre a lógica mercantil e os princípios da educação pública democrática. Nesse contexto, discutem-se os conceitos de alienação do trabalho, subsunção ao capital e desintelectualização docente, articulando-os às condições concretas vividas pelos docentes. No âmbito do SPE, a compra de materiais apostilados padronizados e estruturados implica não apenas uma reorganização dos recursos didáticos disponíveis, mas uma reconfiguração profunda da identidade profissional do professor. Ao seguir roteiros rígidos de conteúdo e metodologia definidos externamente por empresas privadas que defendem um projeto societário, o docente é progressivamente afastado do planejamento, da criação e da reflexão crítica e coletiva sobre sua própria prática. Essa dinâmica reproduz, no interior da escola pública, mecanismos típicos da organização capitalista do trabalho, nos quais o trabalhador é separado do produto e do processo de sua atividade. O artigo conclui que esse modelo representa uma forma contemporânea de alienação docente, com consequências profundas para a democratização da educação pública. A privatização do saber pedagógico a sistemas privados de ensino não é uma medida neutra de modernização, mas uma escolha política que subordina a escola pública à lógica do mercado, comprometendo tanto a autonomia dos professores quanto a qualidade formativa oferecida aos estudantes das redes públicas municipais.

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Biografia do Autor

Juliana Selau Lumertz, Rede Municipal de Porto Alegre (RMP-Brasil)

Licenciada em Pedagogia e Doutora em Educação (2024) pela mesma instituição, na linha de Políticas e Gestão de Processos Educacionais. Professora da rede municipal de Porto Alegre desde 2009, com experiência em alfabetização, orientação escolar, coordenação pedagógica, formação de professores e ex-membro do Conselho Municipal de Educação de Gravataí. Integra o Grupo de Pesquisa Relações entre o Público e o Privado na Educação (GPRPPE/UFRGS), dedicando-se a estudos sobre gestão democrática, políticas educacionais e relação público-privada.

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Publicado

2026-07-15

Como Citar

Selau Lumertz, J. (2026). O PROFESSOR COMO TRABALHADOR ALIENADO:: Sistemas Apostilados de Ensino, Relação Capital-Trabalho e Desintelectualização Docente. Políticas Educativas – PolEd, (1). Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/Poled/article/view/154822