INTERNACIONALIZAÇÃO DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS:
trajetória histórica, tendências de políticas institucionais e desafios presentes
Palavras-chave:
Internacionalização; Universidades públicas brasileiras; Espaço Ibero-americano de Conhecimento (EIC); Privatização do ensino superior; Políticas públicas do ensino superior.Resumo
Este ensaio teórico analisa a internacionalização das universidades públicas brasileiras entre 2000 e 2016, situando-a no processo de globalização e no contexto das reformas estatais que moldaram o ensino superior. O objetivo consiste em compreender as tendências hegemônica e contra hegemônica de internacionalização, suas bases históricas e institucionais, bem como desafios de pesquisa sobre o tema. A análise, fundamentada em revisão de literatura e documentos institucionais, parte do reconhecimento de que o sistema brasileiro apresenta características históricas de elitização, expansão pública tardia, privatização do ensino superior e diferenciação institucional, elementos que condicionam os alcances e limites da internacionalização. Os resultados indicam que a tendência hegemônica consolidou práticas no sentido Norte-Sul voltadas à competitividade global, à mobilidade física estudantil para países centrais da América do Norte e Europa, à priorização das áreas como ciências, tecnologias e inovação e à formação de professores. Programas como Ciência sem Fronteiras e iniciativas vinculadas ao Espaço Ibero-Americano do Conhecimento exemplificam essa orientação, ainda que com baixa reciprocidade e frágil impacto estrutural no ensino superior brasileiro. As instituições privadas, fortalecidas pelos processos de privatização e financeirização do ensino superior, passaram a ocupar posição relevante na recepção de estudantes estrangeiros, enquanto as universidades públicas enfrentam restrições decorrentes da austeridade pós-2016. Por outro lado, a vertente contra hegemônica demonstrou potencial para a integração regional e a cooperação Sul-Sul, especialmente por meio da criação da UNILA, UNILAB e do programa BRACOL. Essas experiências enfatizam a internacionalização orientada à justiça social, ao desenvolvimento regional e ao enfrentamento de desigualdades histórico-estruturais na América Latina, com vistas a seu fortalecimento por meio do ensino superior em uma perspectiva crítica. Foi apresentada a recente perspectiva da Internacionalização em Casa em universidades brasileiras como uma alternativa de democratização da internacionalização, focada no currículo e no ensino por meio digital. O estudo conclui que a internacionalização permanece marcada por assimetrias, baixa coordenação sistêmica e forte influência da lógica de mercado no sentido Norte-Sul, embora iniciativas de cooperação e integração indiquem caminhos alternativos no sentido Sul-Sul. O ensaio sugere pontos de inflexão para estudos sistematizados sobre os impactos dos programas e a democratização da internacionalização.
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