OS DESAFIOS DA INCLUSÃO LINGUÍSTICA DE ESTUDANTES MIGRANTES NAS ESCOLAS FRONTEIRIÇAS

Autores

Palavras-chave:

estudantes migrantes; políticas linguísticas; tríplice fronteira; direito a educação.

Resumo

Este artigo problematiza e discute os desafios da inclusão linguística de estudantes migrantes em escolas de fronteira, com foco nas instituições da rede municipal de Foz do Iguaçu, no Paraná. Localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, essa região apresenta uma complexa paisagem linguística e cultural, impulsionada tanto pela chegada de estudantes de países vizinhos e outras nacionalidades quanto pela presença da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), que atrai estudantes de diversos países, criando dinâmicas próprias (Shohamy & Gorter, 2008; Blommaert, 2012). Nesse cenário, destacam-se os inúmeros desafios relacionados ao acesso, permanência e às práticas pedagógicas para a inclusão de estudantes migrantes no sistema de ensino (Oliveira, 2023; Pasini & Tallei, 2022). A pesquisa está fundamentada em legislações e documentos que abordam políticas linguísticas e a inclusão de estudantes migrantes no contexto educacional, bem como em um referencial teórico que sustenta as discussões propostas: fronteira, políticas linguísticas, inclusão de estudantes migrantes e direito à educação. Estudos de Beck et al. (2016), Diniz-Pereira & Tallei (2021) e Oliveira (2023) apontam para a necessidade de uma política linguística na região de fronteira que promova as línguas oficiais dos países limítrofes, visando a uma verdadeira integração regional. Essa política deve considerar as características específicas de cada contexto — econômico, educacional, populacional, linguístico e cultural. A partir da realidade multilíngue da cidade fronteiriça, identifica-se a ausência de políticas linguísticas que promovam uma educação inclusiva e comprometida com o reconhecimento da diversidade linguística e com a justiça social. Embora existam iniciativas recentes, como a criação do Protocolo de Acolhimento e o mapeamento de estudantes internacionais na rede municipal de ensino, ressalta-se a urgência da criação de políticas educacionais que contemplem o contexto local e fronteiriço nas instituições escolares. Tais políticas devem prever ações que contribuam significativamente para a prática pedagógica, visando à efetiva inclusão do estudante fronteiriço nas escolas da rede municipal de Foz do Iguaçu.

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Biografia do Autor

Juliana Fatima Serraglio Pasini, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS-Brasil)

Pós-doutora em Educação, na linha de Pesquisa "Educação, Políticas Sociais e Estado - UNIOESTE/ Cascavel (2022). Doutora em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2016). Mestre em Educação pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (2012). Possui graduação em Pedagogia pela Faculdade Dinâmica das Cataratas (2005). Atualmente é Professora do Departamento de Estudos Especializados (DEE) da Faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É professora permanente do Programa de Pós-Graduação Profissional em Educação PPGEDU, na Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA), na linha 1: Teorias, Políticas e Práticas de Educação. Possui experiência como professora da Educação Básica, Coordenação Pedagógica, Técnica do Núcleo Regional de Educação em Foz do Iguaçu/PR, além de coordenadora de cursos de pós-graduação em Educação. Integrante do Grupo de Estudo e Pesquisas em Políticas Educacionais - GREPPE/PR-UNILA/Unicamp. Grupo de Estudos sobre a Universidade (GEU/Unemat/UFMT). Vice-líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Estudos transfronteirizos: línguas, educação, políticas e literaturas na margem (UNILA). É membro da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE). É membro e Conselheira Técnica da Associação Brasileira de Educação Comparada (SBEC). Atuando principalmente nos seguintes temas: política de formação docente e gestão escolar, políticas de avaliação em larga escala, e políticas para infância na fronteira. 

Fátima Tavares da Silva, Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA-Brasil)

Tecnologia em Logística, e depois a formação de Docentes no Colégio Estadual Barão do Rio Branco. Após a formação docente, ingressei na docência no setor público do município de Foz do Iguaçu, ao mesmo tempo em que cursava Pedagogia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Atualmente possuo mais de 6 anos de atuação na Educação como professora de Ensino Fundamental, ministrando aula na Escola Municipal João Adão da Silva. Me especializei em Educação com ênfase em Métodos e Técnicas de Ensino, e estou concluindo a especialização em Neuropsicopedagogia.

Cristiane de Bonfim, Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA-Brasil)

Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (2017). Pós graduada em Alfabetização e Letramento e Psicopedagogia Institucional pela Faculdade de Educação São Luís (2019). Atualmente é professora da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, Coordenadora Pedagógica na Escola Municipal João Adão da Silva, Mestranda pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana.

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Publicado

2025-12-10

Como Citar

Pasini, J. F. S., Tavares da Silva, F., & de Bonfim, C. (2025). OS DESAFIOS DA INCLUSÃO LINGUÍSTICA DE ESTUDANTES MIGRANTES NAS ESCOLAS FRONTEIRIÇAS. Políticas Educativas – PolEd. Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/Poled/article/view/149043