TERRITÓRIOS EM DISPUTA, ESCOLAS EM RESISTÊNCIA

conflito fundiário, memória e pertencimento em Hulha Negra (RS)

Autores

Palavras-chave:

Legislação Educacional; Docência Rural; História da Educação; Desigualdade; Políticas Públicas.

Resumo

O artigo investiga os modos de regulamentação do magistério rural no distrito de Hulha Negra, pertencente ao município de Bagé (RS), a partir de uma análise das legislações municipais produzidas entre 1948 e 1966. Com base na História Cultural e na abordagem da História da Educação, o estudo se ancora na análise documental de 11 leis municipais e nas sinopses estatísticas do IBGE. O foco recai sobre a leitura interpretativa de dispositivos legais que regulam a criação de escolas, cargos, salários, exigências formativas e atribuições funcionais, visando compreender como a estrutura normativa moldou as condições materiais e simbólicas da docência em áreas periféricas. Parte-se da hipótese de que a legislação não apenas traduz o investimento público, mas também performa uma política da palavra: nomeia o mínimo, silencia o restante. Os resultados indicam a existência de um duplo regime de escolarização entre o centro urbano e os distritos rurais, com a docência na zona rural sendo marcada por improvisações, sobreposição de funções, baixa remuneração, ausência de formação específica e reconhecimento funcional limitado. Em vez de promover igualdade, os dispositivos normativos contribuem para cristalizar desigualdades históricas, territorializando ausências como norma. O estudo conclui que a legislação educacional do período não apenas reconhece a precariedade do ensino rural, mas a reinscreve como estrutura funcional do sistema, legitimando-a por meio de vocabulários institucionais que transformam a exceção em regra. A docência rural emerge, assim, como um espaço ambivalente, onde os professores são simultaneamente agentes do Estado e sujeitos periféricos, convocados a cumprir funções cívicas em territórios marcados pela ausência do próprio Estado. Com isso, o artigo contribui para o debate sobre as formas de gestão da desigualdade na educação pública brasileira, ao explorar como a norma se torna instrumento de controle, legitimação e invisibilização das lutas por reconhecimento nas margens da política educacional.

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Biografia do Autor

Simone Gomes de Faria, SMED Bagé

Sou  Simone Gomes de Faria , professora do ensino básico e pesquisadora na área de  História da Educação , com ampla formação na área de humanidades. Pós-graduação em  Letras  (URCAMP, 2002),  História  e  Pedagogia  (UNINTER, 2022). Sou  mestre em História  pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG (2016), com ênfase no Ensino de História, e  doutora em Educação com olhar para a História da Educação  pela Universidade Federal de Pelotas – UFPEL (2024), vinculado à linha de pesquisa Filosofia e História da Educação.

Atuo como professora efetiva da rede municipal de Bagé (RS), lecionando nas Escolas Municipais Monteiro Lobato e Maria Machado Molina. Minha trajetória entrelaça ensino e pesquisa, com investigações vitalizadas para  instituições escolas, cultura escolar, formação de professores, imigração alemã, história oral, territórios educacionais e escolas rurais .

Meu compromisso acadêmico tem sido compreender os vínculos entre  memória, identidade, elites de poder, municipalidade pedagógica, práticas educacionais e transformações sociais , com ênfase em contextos rurais, no ensino de história comparada e nas dinâmicas locais de escolarização. Minha produção busca sempre aliar rigor teórico-metodológico à relevância social nos estudos de história, história da educação e políticas públicas.

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Publicado

2025-11-24

Como Citar

Gomes de Faria, S. (2025). TERRITÓRIOS EM DISPUTA, ESCOLAS EM RESISTÊNCIA: conflito fundiário, memória e pertencimento em Hulha Negra (RS). Políticas Educativas – PolEd, 19(1). Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/Poled/article/view/148949