CULTURA NEGRA, IDENTIDADE E AS VIVÊNCIAS DA JUVENTUDE ESTUDANTIL NA ESCOLA
Resumo
O presente artigo é uma composição dos relatos das vivências de quatro jovens de uma Escola Estadual do Ensino Médio de Porto Alegre (RS) e suas participações na oficina intitulada Rap, Ritmo, poesia e cultura negra, que visava suscitar nos alunos suas percepções sobre essa temática. O término dessa prática convergiu no uso da técnica da roda de conversa, promovida no âmbito de pesquisa. O estudo tem como base as teorias de Stuart Hall (2000) sobre a identidade e representação e como elas influenciam na maneira que os alunos percebem essas representações. No tocante dos estudos sobre identidade e saberes de cultura negra surgem outros recortes como a identidade de gênero. Neste aspecto os relatos dos alunos fazem correspondência com as reflexões da escritora, feminista Audre Lorde, que nos convida a enfrentar nossos medos, quebrar silêncios e nos unirmos na luta pelos nossos direitos. Outras correspondências dialógicas estão nas percepções dos alunos e nos estudos da psicanalista Grada Kilomba no livro Memórias da plantação, onde ela compartilha os episódios cotidianos de racismo, escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. Os resultados da pesquisa mostram que os alunos têm grande identificação com o debate da cultura negra, porém ainda encontram muito despreparo dos professores, e isto acaba tornando esse diálogo desmotivante. Os educandos entendem a importância das ações em defesa da educação antirracista para potencializar a mudança social, porém relatam que os crimes de racismo ainda carecem de fiscalizações mais rigorosas e penas mais severas.
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