Paris não tem centro:

uma poesia cheia de passagens

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1981-4526.151946

Palavras-chave:

Marília Garcia, tradução literária, poesia contemporânea, processo criativo, flânerie

Resumo

Este artigo analisa as três versões do poema “Paris não tem centro”, de Marília Garcia, publicadas em 2014, 2016 e 2023. Escrita originalmente em francês durante residência na Cité Internationale des Arts, a primeira versão narra a caminhada de um eu-lírico por Paris em busca de um quadro da Gioconda mencionado por Jacques Roubaud — busca que permanece inconclusa. Na segunda versão, o foco desloca-se do quadro para o próprio poema, com a incorporação de três novas partes que ampliam seu caráter reflexivo e exploram tensões entre línguas e territórios. Já a terceira versão introduz os tradutores como personagens, desloca o tempo da escrita para o futuro e é publicada junto ao poema “Engano geográfico”, formando o conjunto “poemas franceses”, que aborda dificuldades de comunicação e experiência de viver numa terra estrangeira. O cotejo entre as versões evidencia o processo criativo da autora, cuja reescrita opera como gesto ensaístico e metapoético, fazendo do poema um espaço de experimentação em contínuo movimento.

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Biografia do Autor

Rafael do Amaral Prudencio, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Rafael do Amaral Prudencio é doutor em Estudos Literários Aplicados pela UFRGS, onde desenvolveu pesquisas sobre escrita criativa, processos de criação e oficinas literárias, tendo sido bolsista CAPES tanto no mestrado quanto no doutorado. Graduado em Letras – Português e Francês, atuou como professor de Língua Portuguesa e Literatura no IFSC e em cursos pré-vestibulares. Publicou o livro Algo se perdeu no meio da noite (Patuá, 2024) e é autor de artigos, resenhas e capítulos de livros, incluindo participações nas coletâneas Machado de Assis: ficção, criação e sociedade (Zouk, 2022), Leitura em voz alta compartilhada (Zouk, 2023) e Discurso, memória, história (2024). Possui ainda textos publicados em veículos como Conexão Letras, Lugar de Livro – UFRGS e Carbono – UFRGS.

Natália Fernanda Silveira da Pureza, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

É mestranda em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na linha de Estudos Literários Aplicados: Literatura, Ensino e Escrita Criativa e graduada em Letras - Licenciatura (Língua Inglesa e Portuguesa) pela mesma universidade. Foi bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Letras de 2020 à 2024. Neste programa, destaca-se sua atuação no podcast Sopa de Letras (roteiro, revisão e edição), no curso Encontros de Língua Estrangeira e na diretoria da Editora Noctua. Participou do Curso Livre de Preparação de Escritores da Casa das Rosas, na modalidade Poesia. Seus principais interesses são poesia, escrita criativa e literaturas estrangeiras modernas. 

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Publicado

2026-04-06

Como Citar

do Amaral Prudencio, R., & Fernanda Silveira da Pureza, N. (2026). Paris não tem centro:: uma poesia cheia de passagens. Nau Literária, 22(1), p. 14 – 24. https://doi.org/10.22456/1981-4526.151946

Edição

Seção

Dossiê: A contemporaneidade da lírica: apóstrofes, endereçamentos e anacronismos