Pensamentos vegetais na tessitura fitoliterária de A Árvore Mais Sozinha do Mundo
Vegetal thoughts in the phytoliterary tapestry of A Árvore Mais Sozinha do Mundo
DOI:
https://doi.org/10.22456/1981-4526.149060Palabras clave:
Pensamento vegetal, Fitoliteratura, Ecocrítica, Colonialismo químicoResumen
O presente artigo analisa A árvore mais sozinha do mundo (2024), romance de Mariana Salomão Carrara, à luz da formulação teórica de Evando Nascimento em torno do pensamento vegetal. A ficção de Carrara coloca em evidência a narração autodiegética de personagens não convencionais na ordem do discurso de matriz ocidental, com especial ênfase ao vivente arbóreo que intitula a narrativa. Nesse sentido, inscreve-se no acervo da fitoliteratura brasileira ao articular os limites da linguagem e da representação, em um cenário de crise da narração que atravessa o Antropoceno e suas epistemologias fundadas na cisão ontológica. Em diálogo com uma perspectiva decolonial e com a crítica ao logocentrismo, justifica-se a escolha da obra por ilustrar a capacidade da letra poética de tensionar hierarquias ontológicas, mobilizar outras formas de sensibilidade e instaurar modos de escuta para além dos regimes epistêmicos hegemônicos. Nossa contribuição reside na ampliação do pensamento de Nascimento ao campo das fitoescritas contemporâneas, por meio das quais o receptor é instado a (re)pensar os limites do sensível em interlocução com existências-outras, e compreender, ainda, que a crise antropocêntrica está relacionada às histórias que contamos.
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