Sobre os nomes de alguns passarinhos: uma ornitofilia poética num mundo de extinções
About the names of some birds: a poetic ornithophilia in a world of extinctions
DOI:
https://doi.org/10.22456/1981-4526.148928Palabras clave:
poesia brasileira contemporânea, zoopoética, pássarosResumen
Textura das penas, cores das asas e melodias dos cantos estão entre os atributos das aves que cativam a quem as observa, não importa se ornitólogo profissional, observador fortuito ou poeta – todos amadores em alguma medida. Direcionando nossa atenção para esses viventes transpostos para as linhas do texto, este artigo propõe uma leitura da presença das aves em certa poesia brasileira, especificamente nas dicções de Astrid Cabral, Maria Esther Maciel e Leonardo Fróes. Inscritos no horizonte contemporâneo impregnado pelo acirramento da crise climática, pela devastação dos biomas e pelo desaparecimento das espécies – algumas marcas da era geológica em que nos localizamos, o Antropoceno –, compreende-se que os poemas desses autores desvelam posturas de atenção acerca das radicais alteridades não humanas representadas pelos animais, enxergando-as, poeticamente, como detentoras de subjetividades e de pontos de vista singulares sobre o mundo. Frente ao cenário de colapso ambiental descrito, a fabulação poética é concebida, portanto, como ferramenta que permite ao humano alcançar outras coordenadas da experiência com os bichos, ainda que estes ocupem espaços à margem do silenciamento. No desenvolvimento de nosso percurso analítico-interpretativo, mobilizamos um repertório interdisciplinar, afinado com a perspectiva zoopoética de abordagem do texto literário. Para tanto, dialogamos com os apontamentos teórico-críticos de autoras como Anne Simon (2021), Maria Esther Maciel (2016, 2023) e Marielle Macé (2023).
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