BRÔ MC’S E O MODO DE SER INDÍGENA
HIBRIDISMO, CULTURA E IDENTIDADE
Résumé
Este estudo centra-se em discursos e práticas identitárias e culturais inscritas em quatro canções de RAP do Brô MC’s, primeiro grupo indígena do Hip Hop brasileiro. A análise dos corpora direciona-se pelas seguintes questões: De que modo as letras das canções selecionadas configuram-se como mecanismo de negociação entre o local e o global, entre as culturas indígenas e não-indígenas? Quais facetas identitárias os jovens indígenas Brô manifestam a partir de suas produções e de que modo estas tensionam os sistemas de representação racial/étnica? Os autores que constituem o referencial acerca de identidade, representação, hibridismo cultural e terceiro espaço são Bhabha (2013), Canclini (2013), Hall (1997, 2003, 2016, 2019) e Silva (2014). Os resultados apontam que, por meio do RAP, os artistas mantêm viva e atualizada a cultura e a tradição oral Guarani-Kaiowá e, a partir delas, estão construindo suas práticas de resistência, subversão e negociação. Além disso, por meio do RAP, eles manifestam o seu modo de ser indígena e se apropriam de linguagens globais para redefini-las em seu contexto sociocultural local, construindo uma crítica ao sistema vigente.
