O SUJEITO INDÍGENA E A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA NO DISCURSO OFICIAL
UMA ANÁLISE CRÍTICA DO JORNAL NOVO AMAPÁ (1970-1974)
Resumen
O presente artigo analisa a representação do sujeito indígena e da educação escolar indígena no jornal oficial Novo Amapá, periódico do Território Federal do Amapá, entre 1970 e 1974. A pesquisa articula a Análise Crítica de Discurso (ACD), conforme proposta por Norman Fairclough, com a historiografia da educação na Amazônia, examinando como o discurso oficial construiu representações sobre os povos indígenas e a escolarização. O corpus, composto por 184 edições disponíveis no acervo digital da Imprensa Oficial do Estado do Amapá, revelou evolução discursiva significativa: da invisibilidade editorial (1970-1971), passando pela entrada da FUNAI no noticiário (1972), até a visibilização controlada (1973-1974), quando emergiram referências ao MOBRAL como instrumento de alfabetização de indígenas e ao projeto de reestruturação das escolas bilíngues da reserva do Uaçá. Os resultados indicam que o paradigma integracionista permeou transversalmente o discurso oficial, concebendo a educação escolar indígena como instrumento de assimilação cultural e soberania nacional, enquanto silenciava a agência e as tensões sociopolíticas daqueles grupos, especialmente na fronteira do Oiapoque com a Guiana Francesa, fator estratégico determinante na formulação das políticas educacionais representadas no periódico.
