O ESTADO ULTRA MÍNIMO, RESILIENTE, SOLIDARISTA E GERONTOCRÁTICO DOS TUPINAMBÁS NO PASSADO REMOTO
ENTRE ANARQUIA E O LEVIATÃ
Resumo
A hipótese deste artigo sugere que existiu um Estado ultramínimo, resiliente, solidarista e gerontocrático na sociedade tupinambá do passado remoto a partir da análise do material etnohistórico selecionado, que usou uma metodologia própria, investigando a hipótese medianeira do poder entre o maximalismo e o absenteísmo estatal. Sequencialmente, este artigo critica a tradição intelectual tribalista que Florestan Fernandes e Pierre Clastres utilizaram para descrever o sistema político dos tupinambás; em seguida, avalia tecnicamente se existiu ou não um Estado nativo entre os tupinambás desenvolvendo as variáveis da Teoria Geral do Estado; por último, gradua a intensidade do poder público dos tupinambás entre os graus zero, mínimo e máximo de intervenção na Sociedade. O material analisado indica que os tupinambás do passado remoto, na região sudeste do Brasil, não eram anarquistas, nem leviatânicos.
