Acidente vascular encefálico isquêmico de artéria perfurante em cão
RELATO DE CASO
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.151998Palavras-chave:
Acidente vascular cerebral, artéria perfurante, mesencéfalo, encefalomaláciaResumo
Background: Os acidentes vasculares encefálicos são decorrentes da interrupção do fluxo sanguíneo cerebral, ocasionando déficits neurológicos associados à áreas de infartos ou hemorragias. Nos cães, os infartos isquêmicos resultam de processos obstrutivos que comprometem a perfusão encefálica, podendo manifestar-se como infartos territoriais ou lacunares, geralmente associados à formação de êmbolos de diferentes origens e a doenças concomitantes que influenciam sua patogênese. Objetiva-se por meio deste trabalho, correlacionar as alterações clínicas às lesões patológicas observadas em um cão com acidente vascular encefálico isquêmico de artéria perfurante.
Case: Uma cadela Shih Tzu, 5 anos, foi atendida com sinais neurológicos hiperagudos, iniciados há seis dias e caracterizados por nistagmo, sialorreia e evolução para crises epilépticas. Ao exame físico e neurológico observou-se obnubilação, tetraparesia não ambulatória, head turn e pleurotótono à direita, anisocoria arresponsiva, déficit de resposta à ameaça e sensibilidade nasal, além de ausência de propriocepção em todos os membros, indicando lesão envolvendo prosencéfalo e tronco encefálico. Os exames complementares revelaram anemia normocítica normocrômica, neutrofilia e hiperproteinemia discreta. Em ressonância magnética, identificou-se área intra-axial amorfa, hiperintensa em T2 e FLAIR, compreendendo tálamo esquerdo e mesencéfalo, com leve efeito de massa, sugestiva de infarto. Diante do prognóstico reservado e ausência de melhora clínica, optou-se pela eutanásia. A análise do LCR demonstrou resutados dentro da normalidade. Em exame anatomopatológico, observou-se áreas de malácia tálamo-mesencefálica, e a histopatologia confirmou a presença necrose de liquefação com vacuolização, rarefação tecidual, infiltrado de células gitter e hemorragia, além de degeneração e necrose renais. O diagnóstico definitivo foi de acidente vascular encefálico isquêmico decorrente da obstrução da artéria perfurante direita.
Discussion: A paciente descrita encontrava-se fora da faixa etária comumente relatada nos casos de acidentes vasculares encefálicos, geralmente observados em cães idosos. A glomerulonefrite membranosa identificada sugere um quadro de nefropatia perdedora de proteínas, condição reconhecida como causa de hipercoagulabilidade e formação de microtrombos, podendo explicar o infarto isquêmico resultante da oclusão da artéria perfurante direita. A elevação da CK foi atribuída ao decúbito prolongado. Os sinais neurológicos hiperagudos, incluindo crises epilépticas, depressão do nível de consciência, déficits posturais, anisocoria, head turn e pleurotótono, foram compatíveis com lesões talâmicas, diencéfalicas e mesencefálicas. Os achados de ressonância magnética, caracterizados por hipointensidade em T1 e hiperintensidade em T2 e FLAIR, corresponderam ao padrão descrito para infartos isquêmicos. A evolução hiperaguda e não progressiva dos sinais favoreceu o diagnóstico de acidente vascular encefálico isquêmico envolvendo a artéria perfurante direita. A avaliação anatomopatológica evidenciou malácia e infiltrado acentuado de células gitter, alterações compatíveis com isquemia encefálica. O caso demonstra que acidentes vasculares encefálicos, embora menos frequentes em animais jovens, devem ser considerados no diagnóstico diferencial de quadros neurológicos hiperagudos, enfatizando a importância de exames complementares específicos na investigação etiológica.
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