Acidente vascular encefálico isquêmico de artéria perfurante em cão

RELATO DE CASO

Autores

  • Mariana Moreira Lopes Departamento de Medicina Veterinária, Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Brasil. https://orcid.org/0009-0007-1137-6547
  • Vitor Eduardo Arantes de Barros Departamento de Medicina Veterinária, Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-9510-3736
  • Alexandra Moura Fraga Departamento de Medicina Veterinária, Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Brasil. https://orcid.org/0009-0006-9922-5307
  • Karollinne Keffny da Silva Pereira Departamento de Medicina Veterinária, Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Brasil.
  • Letícia Lopes Carrijo Department of Veterinary Medicine, School of Veterinary Medicine and Animal Science, Federal University of Goiás, Goiânia, Brazil. https://orcid.org/0009-0005-7603-8683
  • Veridiana Maria Brianezi Dignani de Moura Departamento de Medicina Veterinária, Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-7128-7035

DOI:

https://doi.org/10.22456/1679-9216.151998

Palavras-chave:

Acidente vascular cerebral, artéria perfurante, mesencéfalo, encefalomalácia

Resumo

Background: Os acidentes vasculares encefálicos são decorrentes da interrupção do fluxo sanguíneo cerebral, ocasionando déficits neurológicos associados à áreas de infartos ou hemorragias. Nos cães, os infartos isquêmicos resultam de processos obstrutivos que comprometem a perfusão encefálica, podendo manifestar-se como infartos territoriais ou lacunares, geralmente associados à formação de êmbolos de diferentes origens e a doenças concomitantes que influenciam sua patogênese. Objetiva-se por meio deste trabalho, correlacionar as alterações clínicas às lesões patológicas observadas em um cão com acidente vascular encefálico isquêmico de artéria perfurante.

Case: Uma cadela Shih Tzu, 5 anos, foi atendida com sinais neurológicos hiperagudos, iniciados há seis dias e caracterizados por nistagmo, sialorreia e evolução para crises epilépticas. Ao exame físico e neurológico observou-se obnubilação, tetraparesia não ambulatória, head turn e pleurotótono à direita, anisocoria arresponsiva, déficit de resposta à ameaça e sensibilidade nasal, além de ausência de propriocepção em todos os membros, indicando lesão envolvendo prosencéfalo e tronco encefálico. Os exames complementares revelaram anemia normocítica normocrômica, neutrofilia e hiperproteinemia discreta. Em ressonância magnética, identificou-se área intra-axial amorfa, hiperintensa em T2 e FLAIR, compreendendo tálamo esquerdo e mesencéfalo, com leve efeito de massa, sugestiva de infarto. Diante do prognóstico reservado e ausência de melhora clínica, optou-se pela eutanásia. A análise do LCR demonstrou resutados dentro da normalidade. Em exame anatomopatológico, observou-se áreas de malácia tálamo-mesencefálica, e a histopatologia confirmou a presença necrose de liquefação com vacuolização, rarefação tecidual, infiltrado de células gitter e hemorragia, além de degeneração e necrose renais. O diagnóstico definitivo foi de acidente vascular encefálico isquêmico decorrente da obstrução da artéria perfurante direita.

Discussion: A paciente descrita encontrava-se fora da faixa etária comumente relatada nos casos de acidentes vasculares encefálicos, geralmente observados em cães idosos. A glomerulonefrite membranosa identificada sugere um quadro de nefropatia perdedora de proteínas, condição reconhecida como causa de hipercoagulabilidade e formação de microtrombos, podendo explicar o infarto isquêmico resultante da oclusão da artéria perfurante direita. A elevação da CK foi atribuída ao decúbito prolongado. Os sinais neurológicos hiperagudos, incluindo crises epilépticas, depressão do nível de consciência, déficits posturais, anisocoria, head turn e pleurotótono, foram compatíveis com lesões talâmicas, diencéfalicas e mesencefálicas. Os achados de ressonância magnética, caracterizados por hipointensidade em T1 e hiperintensidade em T2 e FLAIR, corresponderam ao padrão descrito para infartos isquêmicos. A evolução hiperaguda e não progressiva dos sinais favoreceu o diagnóstico de acidente vascular encefálico isquêmico envolvendo a artéria perfurante direita. A avaliação anatomopatológica evidenciou malácia e infiltrado acentuado de células gitter, alterações compatíveis com isquemia encefálica. O caso demonstra que acidentes vasculares encefálicos, embora menos frequentes em animais jovens, devem ser considerados no diagnóstico diferencial de quadros neurológicos hiperagudos, enfatizando a importância de exames complementares específicos na investigação etiológica.

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Arquivos adicionais

Publicado

2026-09-03

Como Citar

Moreira Lopes, M., Arantes de Barros, V. E., Moura Fraga, A., Keffny da Silva Pereira, K., Lopes Carrijo, L., & Maria Brianezi Dignani de Moura, V. (2026). Acidente vascular encefálico isquêmico de artéria perfurante em cão: RELATO DE CASO. Acta Scientiae Veterinariae, 54. https://doi.org/10.22456/1679-9216.151998

Edição

Seção

Case Report

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