A Esternotomia mediana para remoção de mesotelioma pleural em mediastino de cão
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.129954Palavras-chave:
Cirurgia, Tórax, Toracotomia, Neoplasia, MesoteliomaResumo
Background: O mesotelioma maligno pleural (MMP) é uma neoplasia com baixa incidência em pequenos animais. As causas ainda são desconhecidas mas podem estar associadas ao contato com o amianto. O MMP na cavidade torácica pode ser localizado ou generalizado em todas as estruturas da cavidade e, seus sinais clínicos dependem dessa localização. Embora algumas terapias alternativas estão sendo discutidas, poucos estudos são comprobatórios, sendo a intervenção cirúrgica a opção terapêutica de eleição. Este relato tem como objetivo descrever um caso de MMP localizado no mediastino de um canino tratado com excisão radical através da esternotomia mediada.
Case: Um canino doméstico da raça Shar-pei, fêmea, de sete anos de idade, foi encaminhado para atendimento devido a emagrecimento progressivo e intensa dispneia. Durante o exame físico constatou-se dispneia e abafamento dos sons pulmonares. O paciente realizou hemoanálise, a qual demonstrou leucocitose por neutrofilia, foram realizados também ecografia abdominal, que resultou em visualização de leve efusão abdominal e a radiografia torácica resultando em achado de extensa tumoração recobrindo toda a cavidade torácica. Foi realizado a toracocentese, e o material analisado foi correspondente a exsudato maligno, sendo o paciente encaminhado para a esternotomia mediana com objetivo exploratório. Após a esternotomia, foi realizada a extirpação macroscópica total da tumoração e uma amostra foi encaminhada para histopatologia, sendo confirmado mesotelioma maligno. O paciente recebeu alta hospitalar após oito dias de internação com tratamento domiciliar e não retornou ao hospital. Ao entrar em contato com o tutor, foi informado que o animal veio a óbito 154 dias após o procedimento devido a causa desconhecida.
Discussion: O MMP afeta humanos e animais, estando associado com o fator de risco do contato com o amianto e uso de antipulgas. Em pequenos animais sua incidência é rara, já foram relatados mesoteliomas em animais selvagens, silvestres e grandes animais. Os sinais clínicos estão relacionados com a localização da neoplasia. Quando essa localiza-se na região torácica, observa-se dispneia, abafamento dos sons pulmonares, cianose e derrame pleural na maioria dos casos. O diagnóstico da doença geralmente é tardio e achado incidental, porém alguns exames como ultrassonografia, ressonância magnética, tomografia, radiografia e biópsia por agulha podem auxiliar no diagnóstico. A histopatologia é o exame de eleição para diagnóstico definitivo, observando-se proliferação de células mesoteliais neoplásicas, figuras de mitose atípicas e acentuado pleomorfismo celular. Muitas opções terapêuticas vêm sendo discutidas, como o uso de quimioterápicos, imunoterapia e imunização antitumoral, porém são poucas as comprovações científicas de suas eficácias em animais. Atualmente o tratamento de eleição é a excisão tumoral através de procedimento cirúrgico com objetivo paliativo, uma vez que o prognóstico da doença é desfavorável. A cirurgia minimamente invasiva com o uso da vídeo cirurgia está ganhando cada vez mais espaço na medicina veterinária, e em muitos casos de massas torácicas é empregada com sucesso. No presente relato optou-se por realizar a esternotomia mediana para excisão total devido a extensão da massa que ocupava a cavidade torácica praticamente em sua totalidade. Mais estudos devem ser realizados com o objetivo de auxiliar nos tratamentos paliativos, aumentando a sobrevida dos pacientes com mesoteliomas, já que a maioria dos estudos realizados são em humanos e não em animais. Conclui-se que a esternotomia mediana ainda é a opção terapêutica de eleição para tratamento paliativo de pacientes com mesoteliomas pleurais torácicos extensos.
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