Uma Manifestação bilateral assimétrica de meningoencefalite granulomatosa ocular em um bulldog francês: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.145471Palavras-chave:
neurite óptica, ´cegueira, meningoencefalite, cãesResumo
Background:A meningoencefalite granulomatosa (MEG) é uma doença inflamatória de caráter agudo, progressivo e etiologia desconhecida que se apresenta como lesões no sistema nervoso central (SNC).Existem 3 formas de ocorrência: disseminada, focal e ocular, sendo esta última incomum.O diagnóstico é presuntivo e é alcançado por meio de exclusão de patologias infecciosas, análise de líquor, exames de imagem e exame clínico.O trabalho tem como objetivo relatar um caso de manifestação bilateral assimétrica de MEG ocular em um buldogue francês, visto que se trata de uma apresentação esporádica da doença e um importante diferencial a ser considerado nos casos de cegueira súbita em cães. Case: Um canino macho, com 2 anos e 10 meses de idade, da raça Bulldog Francês chegou para avaliação oftalmológica apresentando exoftalmia, quemose intensa, midríase não responsiva, resposta de ameaça e reflexo de ofuscamento negativo no olho esquerdo e parâmetros normais no olho direito. A fundoscopia do olho esquerdo revelou papiledema e suspeitou-se de neurite óptica, que foi confirmada por ultrassonografia ocular. Foi realizado tratamento com corticóide tópico que apresentou melhora no quadro da quemose, porém não houve retorno do paciente para as consultas de acompanhamento. Após 3 meses da última consulta, opaciente retornou para atendimento com a queixa de cegueira no olho direito, apresentando midríase não responsiva, resposta de ameaça e reflexo de ofuscamento negativo, o paciente foi encaminhado para realização de ressonância magnética (RM), coleta de líquido cefalorraquidiano (LCR) e análise, no dia seguinte a consulta o paciente apresentou quemose no olho direito, semelhante ao quadro apresentado anteriormente no olho esquerdo.A análise do LCR revelou uma amostra composta por 80% de linfócitos e 20% de neutrófilos típicos com ausência de figuras de mitose, atividade fagocitária e bactéria, densidade de 1016 e valor proteico de 0,6g/L. Os sinais clínicos associados a valores elevados de densidade e proteína no LCR, pleocitose mista, testes qPCR negativos no LCR para doenças neurológicas infecciosas e RM do crânio sem alterações confirmam o diagnóstico presuntivo deMEG ocular.Após o diagnóstico o paciente foi encaminhado a um médico veterinário especializado em neurologia. Foi prescrita a utilização de colirio a base de dexametasona TID por 10 dias com fim de combater a inflamação ocular.
Discussion:A forma ocular da MEG é uma anomalia incomum que afeta o nervo óptico de cães jovens, causando cegueira aguda.Diversos autores e estudos relatam sobre as manifestações da forma focal e disseminada da MEG em contrapartida há poucos trabalhos sobre a apresentação ocular da afecção,esta sendo uma anomalia esporádica que afeta o nervo óptico de cães jovens, causando cegueira aguda.No trabalho descrito a forma como a MEG apresentou-se no paciente difere-se do que é comumente descrito em trabalhos, afetando bilateralmente de maneira assimétrica com intervalo de 3 meses entre a apresentação de um olho e o contralateral, e sem apresentar outros sinais neurológicos.A causa desta patologia ainda é desconhecida, a analise do LCR mostrando atividade linfocitaria alta associado com qPCR negativos para doenças infecciosas, levam a crer em uma causa imunomediada ou idiopática. O paciente realizou tratamento à base de citarabina e corticóide prescrito pelo neurologista e apresentou controle da MEG sem evolução para outras áreas, sendo a principal sequela a cegueira causada pela neurite óptica resultante da inflamação.Downloads
Referências
1 Curtis W.D. & Ronaldo C.C. 2016. Principles and Application of Magnetic Resonance Imaging - Brain and Spine. In: Hecht S. & Costa C.R. (Eds). Pratical Guide to Canine and Feline Neurology. 3rd edn. Danvers: Wiley Blackwell, pp.105-106.
2 Garcia C., Silva R.S., Costa M.M., Santos E.D., Palma M.D., Motta A.C., Machado T.P. & Barcellos H.H.A. 2023. Meningoencephalitis of Unknown Origin in Dogs. Acta Scientiae Veterinariae. 51(1): 881. DOI: 10.22456/1679-9216.126781 DOI: https://doi.org/10.22456/1679-9216.126781
3 Gellat K.N. 2021. Diseases of the Canine Ocular Fundus. In: Petersen-Jones M.S. & Mowa F. (Eds). Veterinary Ophthalmology. 6th edn. Hoboken: Wiley-Blackwell, pp1552-1553.
4 Gnirs K. 2006. Ciclosporin treatment of suspected granulomatous meningoencephalomyelitis in three dogs. The Journal of Small Animal Practice. 47: 201-206. DOI: 10.1111/j.1748-5827.2006.00065.x DOI: https://doi.org/10.1111/j.1748-5827.2006.00065.x
5 Gelatt K.N. & Plummer C.E. 2022. Diseases and surgery of the canine posterior segment. In: Gelatt K.N. & Plummer C.E. (Eds). Essentials of Veterinary Ophthalmology. 4th edn. Hoboken: John Wiley & Sons, pp.513-514. DOI: https://doi.org/10.1002/9781119801368
6 Kipar A., Baumgartner W., Vogl C., Gaedke K. & Wellman M. 1998. Immunohistochemical characterization of inflammatory cells in brains of dogs with granulomatous meningoencephalitis. Veterinary Pathology. 35(1): 43-52. DOI: 10.1177/030098589803500104 DOI: https://doi.org/10.1177/030098589803500104
7 Kirk R., Steven M.L. & Sharon E.C. 2001. Granulomatous meningoencephalomyelitis in dogs. Compendium - Small Animal/Exotics. 23(7): pp. 644-651.
8 Kitagawa M., Okada M., Watari T., Sato T., Kanayama K. & Sakai T. 2009. Ocular granulomatous meningoencephalomyelitis in a dog: magnetic resonance images and clinical findings. Journal of Veterinary Medical Science. 71(2): 233-237. DOI: 10.1292/jvms.71.233 DOI: https://doi.org/10.1292/jvms.71.233
9 Lobetti R.G. & Pearson J. 1996. Magnetic resonance imaging in the diagnosis of focal granulomatous meningoencephalomyelitis in two dogs. Veterinary Radiology & Ultrasound. 37(6): pp. 424-427. DOI: 10.1111/j.1740-8261.1996.tb01254.x DOI: https://doi.org/10.1111/j.1740-8261.1996.tb01254.x
10 Maggs D.J., Miller P.E. & Ofri R. 2008. Neuroophthalmology In: Ron Ofri. Slatter’s Fundamentals Veterinary Ophthalmology. 4th edn. St. Louis: Saunders Elsevier, pp.323-325.
11 O'Neill E.J., Merrett D. & Jones B. 2005. Granulomatous meningoencephalomyelitis in dogs: A review. Irish Veterinary Journal. 58(2): 58-92. DOI: 10.1186/2046-0481-58-2-86 DOI: https://doi.org/10.1186/2046-0481-58-2-86
Arquivos adicionais
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Eric Orlando Barbosa Momesso, Carlos Otávio Eggres Krebs, Cristiane Maia Baruffaldi, Matheus César da Silva, Eduardo Brittes Rott, Diane Ruschel Marinho

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
This journal provides open access to all of its content on the principle that making research freely available to the public supports a greater global exchange of knowledge. Such access is associated with increased readership and increased citation of an author's work. For more information on this approach, see the Public Knowledge Project and Directory of Open Access Journals.
We define open access journals as journals that use a funding model that does not charge readers or their institutions for access. From the BOAI definition of "open access" we take the right of users to "read, download, copy, distribute, print, search, or link to the full texts of these articles" as mandatory for a journal to be included in the directory.
La Red y Portal Iberoamericano de Revistas Científicas de Veterinaria de Libre Acceso reúne a las principales publicaciones científicas editadas en España, Portugal, Latino América y otros países del ámbito latino