Endoexoprótese no tratamento do osteossarcoma de membro torácico em cão
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.148642Palavras-chave:
neoplasia óssea, Amputação de membro, Prótese, QuimioterapiaResumo
Introdução: O osteossarcoma (OSA) é o tumor ósseo maligno primário mais comum em cães, representando aproximadamente 85% de todas as neoplasias ósseas malignas. Afeta principalmente cães de raças grandes e mais velhos, sendo o esqueleto apendicular o local mais acometido. A doença apresenta curso agressivo, alta taxa de metástase e, geralmente, prognóstico desfavorável. O tratamento geralmente envolve cirurgia e quimioterapia, sendo a amputação do membro o procedimento tradicional. Este estudo tem como objetivo relatar o caso de um cão da raça São Bernardo com OSA na região distal do rádio e ulna, tratado com amputação parcial do membro e implantação de uma endo-exoprótese, associada à quimioterapia adjuvante.
Relato de caso: Um cão São Bernardo, macho, inteiro, de 9 anos de idade e 65 kg, foi admitido no Hospital Veterinário Universitário com histórico de aumento de volume na região distal do rádio e ulna do membro torácico esquerdo. Exames radiográficos e histopatológicos confirmaram o diagnóstico de osteossarcoma (OSA), e exames de estadiamento não evidenciaram metástases pulmonares. O tratamento incluiu amputação parcial do membro no terço médio do rádio e ulna, seguida da implantação de uma endo-exoprótese de titânio personalizada, além de quimioterapia adjuvante. O procedimento cirúrgico envolveu osteotomia do rádio e ulna, fresagem do canal intramedular para acomodação do implante e implantação manual da endo-exoprótese. Avaliação radiográfica pós-operatória imediata indicou posicionamento adequado do implante. Cinco dias após a cirurgia, houve retração de tecidos moles e deiscência de sutura, com exposição óssea, exigindo reaproximação dos tecidos moles junto à base da prótese. Após 20 dias de internação, o paciente recebeu alta com cicatrização incompleta na interface pele-implante, exigindo cuidados domiciliares contínuos com a ferida. Ao retornar 45 dias após a cirurgia, o paciente apresentava sinais de infecção da prótese. Exames radiográficos revelaram reabsorção óssea peri-implante e proliferação óssea irregular. Cultura bacteriana identificou a presença de Klebsiella pneumoniae, sensível a meropeném. Após a conclusão do tratamento antibiótico, uma nova cultura identificou infecção por Acinetobacter sp. multirresistente. Diante da infecção persistente, da reabsorção óssea progressiva ao redor do implante e da falha protética, optou-se pela amputação do membro aproximadamente três meses após a implantação da prótese. Cerca de seis meses após o diagnóstico de OSA, o paciente foi internado com quadro de dispneia severa. Radiografias torácicas revelaram metástases pulmonares, sendo realizada a eutanásia.
Discussão: O uso de endo-exopróteses em cães apresenta desafios significativos, especialmente no que se refere à interface tecido mole–implante e à osseointegração. A adaptação bem-sucedida da pele e da musculatura à prótese é crucial para o sucesso a longo prazo, uma vez que falhas nessa interface podem levar a complicações como infecções, deiscência e falha do implante. Pacientes caninos apresentam dificuldades adicionais devido a fatores como presença de pelos, grande variabilidade na anatomia e tamanho dos membros, dificuldade em impor restrição de atividade e possibilidade de lambedura da região operada. O caso relatado destaca tanto os benefícios quanto os desafios da utilização de endo-exopróteses no tratamento do OSA canino. Embora o procedimento tenha inicialmente preservado a funcionalidade do membro, complicações pós-operatórias, como retração de tecidos moles, infecção e problemas de osseointegração, resultaram na falha do implante. Ressalta-se a necessidade de aprimoramento das técnicas cirúrgicas e do desenvolvimento de tecnologias que favoreçam a osseointegração e a cicatrização na interface pele-implante, com o objetivo de reduzir as taxas de complicação e melhorar os desfechos clínicos.
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