Fratura dentária em crianças no Rio Grande do Sul: análise dos dados do levantamento SB-Gaúcho 2002/2003

Marília Leão Goettems, Eduardo Dickie Castilhos, Dione Dias Torriani

Resumo


Os traumatismos dentários são reconhecidos como um problema de saúde pública devido à alta freqüência com que ocorrem e aos custos envolvidos no seu tratamento. Dentre os traumatismos, as fraturas dentárias são um dos tipos de maior ocorrência. O objetivo desse trabalho foi descrever a prevalência encontrada de fraturas dentárias em crianças na dentição decídua e permanente no estado do Rio Grande do Sul, comparar com a prevalência de cárie dentária e discutir aspectos relacionados à prevenção deste agravo. Dados secundários, oriundos do levantamento SB-Gaúcho 2002/2003, da Secretaria Estadual de Saúde, foram utilizados. Para o traumatismo, dados de 11.904 crianças foram avaliados e para cárie dentária 12.773, obtidos com os critérios de diagnóstico da Organização Mundial da Saúde. Observou-se que dos 18 aos 36 meses a prevalência de fratura dentária foi de 1,5%, aos 5 anos de 1,8% e aos 12 anos de 2,7%. As prevalências de crianças com pelo menos um dente afetado por cárie foram respectivamente 28,2%, 58,2% e 64,6%. O teste exato de Fischer foi usado para verificar associação entre a presença de traumatismo e a presença de cárie. Tanto cárie quanto traumatismo apresentaram tendência de aumento com idade, evidenciando que ambos os eventos se beneficiariam de medidas destinadas à prevenção precoce de doenças bucais. Critérios que incluíssem outros tipos de traumatismos dentários deveriam ser utilizados pelos levantamentos nacionais para obter-se uma estimativa mais confiável de sua ocorrência, devido às limitações inerentes ao critério utilizado, o qual minimiza sua prevalência.

Palavras-chave


Traumatismo; Levantamentos de saúde bucal; Epidemiologia

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DOI: https://doi.org/10.22456/2177-0018.12219