PERCEPÇÕES INTERGERACIONAIS DE AGRICULTORES FAMILIARES SOBRE A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E SUSTENTABILIDADE

Cianarita Caron Figueiró, Arlene Anelia Renk

Resumo


O meio rural do oeste catarinense passa por constantes transformações econômicas, ambientais e sociais. Em algumas propriedades rurais temos a prevalência de três gerações, interagindo no mesmo espaço, com idades e percepções distintas acerca da reprodução social e produtiva.  Este artigo tem como objetivo geral analisar a percepção intergeracional de agricultores familiares sobre a produção de alimentos e a sustentabilidade. Foram estudadas dez famílias rurais com a composição familiar de três gerações: avós, pais e jovens. Os dados foram obtidos a partir de entrevistas semiestruturadas que foram gravadas e transcritas. Identificamos mudanças significativas em relação à interação entre o espaço urbano e rural com conciliação de atividades agrícolas e não-agrícolas, sendo que a pluriatividade vem promovendo a autonomia, principalmente para as mulheres e aos jovens. As três gerações de agricultores não encerram seu ciclo de transmissão e reprodução social e produtiva. Os atores que vivem neste espaço estão propensos a rever os seus modos de produção adaptando-se às mudanças da sociedade e às alternativas viáveis à sua realidade, porém conservam valores e tradições que transmitem às gerações seguintes e que caracterizam a simbologia da identidade étnica e cultural da agricultura

Palavras-chave


Agricultura familiar; campesinato; intergeracionalidade; reprodução social e produtiva.

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