Racismo obstétrico sofrido pelas mulheres negras na assistência pré-natal e ao parto: um estudo qualitativo
Abstract
Objetivo: descrever o racismo obstétrico sofrido pelas mulheres negras a partir de suas percepções e experiências na assistência pré-natal e ao parto.
Método: estudo qualitativo descritivo realizado entre fevereiro e maio de 2021. Participaram 22 mulheres negras que residiam nos municípios do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Salvador, cujo parto normal ou cesariana ocorreu durante o primeiro ano da COVID-19. Estas mulheres foram recrutadas pelas redes sociais. As entrevistas semiestruturadas foram realizadas por videoconferência e/ou videochamada. A Análise Temática e referências sobre o racismo na atenção obstétrica orientaram o processo analítico.
Resultados: as participantes sofreram violências, maus-tratos, negligências, discriminações raciais e preconceitos durante a assistência pré-natal e ao parto, causando experiências negativas em relação ao atendimento dos serviços públicos e privados. As mulheres negras adotaram estratégias frente ao racismo obstétrico: busca pelas maternidades diferenciadas das unidades de referência, mudança do profissional e/ou do serviço da saúde suplementar e contratação de profissionais para o parto.
Conclusão: o racismo obstétrico se manifesta como violências, discriminações e preconceitos
sofridos pelas mulheres negras durante a assistência pré-natal, ao parto e ao pós-parto. O enfrentamento do racismo requer ações coletivas e colaborativas dos segmentos políticos, assistenciais, profissionais e educacionais da saúde.
Descritores: Racismo; Cuidado pré-natal; Parto; Assistência obstétrica; Enfermagem; COVID-19.
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