A BOLSA DA CIENTISTA SOCIAL:
sobre aprendizagens, habilidades e técnicas
Palavras-chave:
Ciências Sociais, Antropologia, Atuação profissional, Políticas Públicas, AprendizagemResumo
Este artigo discute as possibilidades de atuação profissional de cientistas sociais, com ênfase na antropologia, para além do espaço acadêmico. A análise se dá a partir de um relato de experiência como analista de pesquisa qualitativa em um grupo de pesquisa e desenvolvimento tecnológico que prestava serviços a órgãos do governo federal. O objetivo é refletir sobre a transposição de aprendizagens, habilidades e técnicas adquiridas na formação em Ciências Sociais para o ciclo de políticas públicas, colocando em relevo seu contexto interdisciplinar. A abordagem metodológica etnográfica parte da “teoria da bolsa de ficção” de Ursula K. Le Guin para pensar na tecitura de nossa própria bolsa de cientistas sociais como aquilo que sustentará nossa práxis profissional. O argumento consiste em tomar a formação acadêmica e as aprendizagens adquiridas como uma “bolsa” que pode ser carregada ao longo de diferentes práticas de atuação, transbordando a dicotomia entre vida e trabalho. Serão analisadas competências como leitura crítica e mapeamento documental, construção e teste de instrumentos de pesquisa qualitativa, elaboração e gestão de projetos, além da condução de trâmites éticos junto ao sistema CEP/CONEP. Espera-se demonstrar como a atuação profissional de cientistas sociais no campo das políticas públicas revela conexões parciais e produtivas entre áreas de conhecimento, ampliando horizontes de inserção e reafirmando o potencial crítico, criativo, educador e transformador das Ciências Sociais.
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