Plantas medicinais e suas indicações ginecológicas: estudo de caso com moradoras de Quixadá, CE, Brasil
Trefwoorden:
Etnobotânica, Plantas abortivas, Saúde da mulher.Samenvatting
É comum o uso de plantas medicinais para o tratamento de enfermidades que acometem o universo feminino, principalmente em pequenas comunidades do Nordeste brasileiro, onde as plantas medicinais ainda representam o principal recurso terapêutico. Por isso, realizamos esta pesquisa com o objetivo de conhecer quais são as plantas utilizadas no tratamento ginecológico por moradoras de Quixadá, localizada no semiárido cearense. Especificamente, esperamos levantar informações sobre as identidades das espécies, indicações terapêuticas, partes utilizadas, modos de preparo, locais de aquisição das plantas e fontes de obtenção dos conhecimentos locais. Entrevistamos 50 mulheres com idades entre 20 e 80 anos. Identificamos 50 espécies, com destaque para mastruz (Chenopodium ambrosioides L), malvarisco (Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng.), Corama (Bryophyllum calycinum Salisb.) e aroeira (Myracrodruon urundeuva Allemão), que figuraram entre aquelas com maior importância relativa (IR), devido à maior amplitude de usos citados: inflamações, raladura, miomas e/ou ovário micropolicístico. O caule e a folha foram as partes mais utilizadas e o chá por infusão e decocção foi o modo de preparo predominante. A maioria (90%) obteve o conhecimento por meio de mães, avós e bisavós, demonstrando que, além da transmissão oral e verticalizada, existiu um predomínio de gênero no repasse do conhecimento. Concluímos que uma combinação dos fatores influência cultural, facilidade de acesso e custo reduzido pode explicar à riqueza de espécies utilizadas no tratamento ginecológico. Destacamos ainda que é preciso cautela no uso dessas plantas, pois as entrevistadas não realizam consultas ginecológicas anuais e a indicação terapêutica mais citada foi a abortiva.
