Plantas medicinais e suas indicações ginecológicas: estudo de caso com moradoras de Quixadá, CE, Brasil

Autores

  • Fabiana de Jesus da Silva Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central da Universidade Estadual do Ceará FECLESC-UECE,
  • Andréa Pereira Silveira Faculdade de Educação de Itapipoca da Universidade Estadual do Ceará (FACEDI-UECE)
  • Vaneicia dos Santos Gomes Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central da Universidade Estadual do Ceará FECLESC-UECE,

Palavras-chave:

Etnobotânica, Plantas abortivas, Saúde da mulher.

Resumo

É comum o uso de plantas medicinais para o tratamento de enfermidades que acometem o universo feminino, principalmente em pequenas comunidades do Nordeste brasileiro, onde as plantas medicinais ainda representam o principal recurso terapêutico. Por isso, realizamos esta pesquisa com o objetivo de conhecer quais são as plantas utilizadas no tratamento ginecológico por moradoras de Quixadá, localizada no semiárido cearense. Especificamente, esperamos levantar informações sobre as identidades das espécies, indicações terapêuticas, partes utilizadas, modos de preparo, locais de aquisição das plantas e fontes de obtenção dos conhecimentos locais. Entrevistamos 50 mulheres com idades entre 20 e 80 anos. Identificamos 50 espécies, com destaque para mastruz (Chenopodium ambrosioides L), malvarisco (Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng.), Corama (Bryophyllum calycinum Salisb.) e aroeira (Myracrodruon urundeuva Allemão), que figuraram entre aquelas com maior importância relativa (IR), devido à maior amplitude de usos citados: inflamações, raladura, miomas e/ou ovário micropolicístico. O caule e a folha foram as partes mais utilizadas e o chá por infusão e decocção foi o modo de preparo predominante. A maioria (90%) obteve o conhecimento por meio de mães, avós e bisavós, demonstrando que, além da transmissão oral e verticalizada, existiu um predomínio de gênero no repasse do conhecimento. Concluímos que uma combinação dos fatores influência cultural, facilidade de acesso e custo reduzido pode explicar à riqueza de espécies utilizadas no tratamento ginecológico. Destacamos ainda que é preciso cautela no uso dessas plantas, pois as entrevistadas não realizam consultas ginecológicas anuais e a indicação terapêutica mais citada foi a abortiva.

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Biografia do Autor

Fabiana de Jesus da Silva, Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central da Universidade Estadual do Ceará FECLESC-UECE,

Licenciada em Ciências Biológicas pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central da Universidade Estadual do Ceará FECLESC-UECE,

Andréa Pereira Silveira, Faculdade de Educação de Itapipoca da Universidade Estadual do Ceará (FACEDI-UECE)

Possui Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará (1998), Mestrado em Botânica pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2002) e Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal do Ceará (2012). Atualmente é professora Adjunta da Faculdade de Educação de Itapipoca da Universidade Estadual do Cerá (FACEDI/UECE). Tem experiência na área de pesquisa em Ecologia Vegetal, com ênfase em: Estrutura e Dinâmica de Populações Vegetais, Etnobotânica, Ensino de Ecologia e Ensino de Botânica.

Vaneicia dos Santos Gomes, Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central da Universidade Estadual do Ceará FECLESC-UECE,

Bióloga, professora e pesquisadora. Mestre em Biologia Vegetal pela Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Sistemática Vegetal, Biogeografia e Etnobotânica, atuando principalmente nos seguintes temas: Distribuição Geográfica de fanerógamas, Composição e estrutura de florestas (ombrófila e decídua). Desenvolve projetos com Florística no Semi-arido com interesse em afloramentos rochosos (Inselbergs) do minicípio de Quixadá, no Ceará. Atualmente participa de projetos com calibração palinológica em áreas em processo de desertificação no semiárido cearense.

 

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Publicado

2016-10-04

Como Citar

da Silva, F. de J., Silveira, A. P., & Gomes, V. dos S. (2016). Plantas medicinais e suas indicações ginecológicas: estudo de caso com moradoras de Quixadá, CE, Brasil. Revista Brasileira De Biociências, 14(3). Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/rbrasbioci/article/view/114678

Edição

Seção

Artigos