Priorizar uma área não é matar outra?: uma análise discursiva de necropolíticas no campo da educação e pesquisa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21573/vol36n32020.101502

Palavras-chave:

políticas públicas de educação superior, necropolítica, análise do discurso, linguagem-intervenção, racismo.

Resumo

Nosso artigo propõe uma reflexão sobre necropolíticas contemporâneas no campo da educação e da pesquisa, a partir da análise discursiva de vozes do Ministério da Educação em notícia publicada pelo jornal Estadão, em 2019. Como referencial teórico-metodológico adotou-se a Análise do Discurso de base enunciativa, a partir dos construtos de gêneros do discurso e linguagem-intervenção.Nossas análises apontam para a manutenção de uma organização social  desigual e estruturalmente racista de distribuição de formação superior no país. 


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Biografia do Autor

Elisamar Pereira Martins, PPRER - Cefet/RJ

Mestranda em Relações Étnico-Raciais pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) e membro do grupo Práticas discursivas na produção de identidades sociais: Fatores humanos, organizações, trabalho, tecnologia e sociedade. Possui graduação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Veiga de Almeida (2017). Tem interesse nos estudos de comunicação, principalmente dos seguintes temas: estratégias educacionais, questões raciais, formação da sociedade brasileira, cotidiano e diversidades identitárias.

Gabriel Merlim Moraes Villela, Cefet/Pradisis - UFF

Graduando no curso de licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense. Egresso do Ensino Médio integrado ao Curso Técnico de Guia de Turismo Regional (Estado do Rio de Janeiro), com especialização em Atrativos Culturais e Naturais, pelo Cefet/RJ. Nessa mesma instituição foi bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Ensino Médio (PIBIC-EM), com um projeto de análise voltado à produção de vídeos na Internet pela perspectiva de jovens negros LGBTI em Análise do Discurso e é e membro do grupo Práticas discursivas na produção de identidades sociais: Fatores humanos, organizações, trabalho, tecnologia e sociedade.

Maria Cristina Giorgi, Cefet-RJ/CNPq

Doutora em Letras pela Universidade Federal Fluminense em 2012 e MESTRADO em Linguística (Letras) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 2005. É graduada em Letras (Habilitação Português Espanhol) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente é professora titular do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, onde atua como professora do Ensino Médio e Técnico e dos programas stricto sensu em Relações Étnico-Raciais e Mestrado profissional em  Filosofia e Ensino. Atual coordenadora do curso lato sensu Relações Étnico-Raciais e Educação na mesma instituição.

Fabio Sampaio de Almeida, Cefet/RJ

Doutor em Linguística Aplicada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em Letras, na área de concentração em Linguística, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e bacharel e licenciado em Letras Português/ Espanhol e respectivas literaturas pela mesma instituição. Atualmente é professor de língua portuguesa e espanhola do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) campus Petrópolis e Docente pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-raciais (PPRER) e do Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Filosofia e Ensino (PPFEN) da mesma instituição. Tem experiência na área de Linguística Aplicada, com ênfase em estudos do discurso, atuando principalmente nos seguintes temas: discurso, corporalidade e construção de identidades, relações étnico-raciais, linguagem e trabalho docente, gêneros do discurso e ensino, discursos midiáticos e produção de subjetividade.

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Publicado

2020-11-12

Como Citar

Pereira Martins, E., Merlim Moraes Villela, G., Giorgi, M. C., & Sampaio de Almeida, F. (2020). Priorizar uma área não é matar outra?: uma análise discursiva de necropolíticas no campo da educação e pesquisa. Revista Brasileira De Política E Administração Da Educação, 36(3), 1273–1296. https://doi.org/10.21573/vol36n32020.101502