Entre a urbanização e o abastecimento: a persistência da agricultura na Região Metropolitana do Rio de Janeiro
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-0003.154649Palavras-chave:
Metrópoles, Dinâmica rural-urbana, Diferenças, Ruralidades, Produção ruralResumo
Este artigo analisa a permanência e a transformação da agricultura na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), com o objetivo de identificar os processos de reconfiguração territorial da produção agrícola em um espaço historicamente marcado pela intensa urbanização. A pesquisa busca caracterizar as diferentes formas de permanência da atividade agrícola e discutir sua importância para o abastecimento alimentar, a preservação ambiental e a organização territorial da metrópole. O estudo parte da constatação de que a metrópole, apesar de abrigar uma das maiores concentrações urbanas do país, mantém áreas de pequena, média e grande produção, que desempenham papéis estratégicos no abastecimento alimentar, na preservação ambiental e na dinâmica econômica regional. A pesquisa adota uma abordagem metodológica mista, combinando análise qualitativa, baseada em entrevistas, observações de campo e estudo das formas de comercialização, com o suporte de dados quantitativos do Censo Agropecuário 2017, de relatórios do CEASA-RJ e de diagnósticos elaborados pela EMATER-Rio. A discussão teórica mobiliza autores clássicos e contemporâneos da geografia, como Lefebvre, Milton Santos, Kayser, Hespanhol, Rua e Marafon, além de referenciais sobre agroecologia e multifuncionalidade agrícola, destacando a agricultura metropolitana como espaço de resistência e de reinvenção territorial. Tabelas e gráficos apresentam de forma sintética as tendências de produção e comercialização, enquanto a análise espacial do mapa da RMRJ evidencia a concentração agrícola em áreas periféricas da Baixada e do Leste Metropolitano, em contraste com a rarefação observada nos centros urbanos consolidados. Os resultados apontam que a agricultura metropolitana deve ser analisada como um elemento estrutural da organização territorial das áreas metropolitanas, pois revela contradições entre expansão urbana e permanência do rural, além de evidenciar a necessidade de políticas públicas integradas em escala regional. Mais do que uma atividade econômica, a agricultura da RMRJ é multifuncional, articulando abastecimento de proximidade, preservação ambiental e coesão social. O trabalho conclui que sua valorização é indispensável para repensar o futuro das metrópoles brasileiras, garantindo segurança alimentar, sustentabilidade e qualidade de vida urbana.
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Aceito 2026-07-13
Publicado 2026-08-10

