Cartas ao(a) professor(a) – cartas a nós mesmas
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-0003.155257Palavras-chave:
Formação docente, Narrativas autobiográficas, Memória, Identidade docente, Vínculos formativosResumo
Este artigo apresenta reflexões produzidas a partir de uma atividade desenvolvida na disciplina “O método (auto)biográfico e a formação de professores”, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (POSGEA/UFRGS), no ano de 2023. A proposta consistiu na escrita de cartas endereçadas a professores e professoras que marcaram as trajetórias escolares e acadêmicas dos participantes, todos docentes ou futuros docentes. Tomando as narrativas como material de análise, o texto busca compreender de que modo as experiências vividas ao longo do percurso formativo atravessam a constituição da profissionalidade docente. Dessa forma, entende-se que narrar experiências implica produzir sentidos sobre a própria trajetória, mobilizando processos de reflexão, ressignificação e (auto)formação. As cartas evidenciam que a formação docente não se reduz à apropriação de conhecimentos e técnicas pedagógicas, sendo profundamente marcada pelos vínculos estabelecidos, pelas relações de escuta, pelas formas de presença e pelos modos como professores e professoras se inscrevem na memória dos sujeitos. A análise mostra que, ao escrever ao outro, os sujeitos também escrevem sobre si, revisitando memórias e elaborando narrativamente experiências que permanecem atuantes na docência. Assim, o método (auto)biográfico constitui um potente dispositivo (auto)formativo, ao possibilitar a compreensão da docência como um processo contínuo de construção de si, tecido na articulação entre memória, experiência e relação.
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Copyright (c) 2026 Carolina Lacerda Macalos

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Aceito 2026-07-25
Publicado 2026-10-12

