Entre tempo e direito
narrativas de trabalhadoras domésticas na duração da vida
DOI:
https://doi.org/10.22456/1984-1191.154543Palavras-chave:
Trabalho Doméstico, Gênero, PEC das Domésticas, Cuidado, Etnografia da DuraçãoResumo
Este artigo analisa as trajetórias de duas trabalhadoras domésticas a partir de uma narrativa audiovisual, investigando como gênero, cuidado, informalidade e formalização se articulam na produção de sentidos ao longo da duração biográfica. O estudo toma as narrativas das próprias trabalhadoras como campo epistemológico, permitindo apreender os efeitos sociais e subjetivos das transformações legais. Ancorado na etnografia da duração e nos debates feministas sobre divisão sexual do trabalho, examina-se como a ‘PEC das Domésticas’ se inscreve como acontecimento político nas memórias, reconfigurando projetos de vida e experiências de cidadania, sem dissolver a coexistência entre regimes formais e informais. O trabalho baseia-se em entrevistas audiovisuais em profundidade e os resultados indicam que o trabalho doméstico estrutura trajetórias marcadas pela sobreposição entre cuidado, vida familiar e inserção laboral, enquanto a formalização emerge como marco situado, inscrito em temporalidades desiguais, evidenciando os limites do reconhecimento democrático e a persistência de uma cidadania vivida de forma desigual.
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