Herdeiras negras
narrativas biográficas de três gerações de mulheres negras da mesma família em três regiões de economia escravista
DOI:
https://doi.org/10.22456/1984-1191.153303Palavras-chave:
Mulheres Negras, Narrativa Biográfica, Herança da Escravidão, GeraçõesResumo
A mulher negra vivencia situações de vulnerabilidade que apenas podem ser apreendidas por essa dupla condição, ser mulher e ser negra. Entretanto, essa condição não é vivenciada da mesma maneira por diferentes gerações, nem tampouco nas diferentes regiões brasileiras. O artigo se baseia em pesquisa em andamento, que adota a abordagem reconstrutiva de narrativas biográficas, que tem na experiência biográfica o elemento-chave para a compreensão da realidade social. O texto sugere um roteiro que visa oferecer novos elementos para a compreensão da sociedade contemporânea a partir da análise de como diferentes gerações de mulheres negras interpretam a vivência com a herança da escravidão no cotidiano. Foram realizadas entrevistas biográficas com três gerações de mulheres da mesma família na Zona da Mata Pernambucana, no Vale do Jequitinhonha (MG) e Pelotas (RS). Já foi possível identificar que em algumas famílias impera um tabu em relação ao tema da herança da escravidão, sobre o qual não se fala no ambiente familiar. Em outras famílias, ao contrário, há de forma deliberada a tentativa de recuperação da memória do passado familiar.
Downloads
Referências
ASSUMPÇÃO, Jorge Eusébio. 2013. Pelotas: Escravidão e Charqueadas (1780-1888). Porto Alegre: FMC Editora, 2013.
BAKOS, Margaret M. 1990. Sobre a mulher escrava no Rio Grande do Sul. Estudos Ibero-Americanos, PUCRS, XVI (1, 2): p. 47-56.
BECKER, Johannes; POHN-LAUGGAS, Maria; SANTOS, Hermílio. 2023. Introduction: Reconstructive Biographical Research, Current Sociology, voilume 71, issue 4.
CARDOSO, Fernando Henrique. 2003. Capitalismo e escravidão no Brasil meridional – O negro na sociedade escravocrata do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
COSTA, Valéria Gomes. 2013. Trajetórias Negras: Os Libertos da Costa d’África no Recife (1846-1890). Tese de Doutorado, Universidade Federal da Bahia.
FURTADO, Celso. 1975. Formação Econômica do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional.
FLORENTINO, Manolo. 2002. Em Costas Negras – Uma História do tráfico de escravos entre a África e o Rio de Janeiro (séculos XVIII e XIX). São Paulo: Companhia das Letras.
GOFFMAN, Erving. 1986. Frame Analysis – An Essay on the Organization of Experience. Boston: Northeastern University Press.
GOMES, Laurentino. 2019. Escravidão Volume I – Do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares. Rio de Janeiro: Globo Livros.
GOMES, Laurentino. 2021. Escravidão Volume II – Da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada de Dom João ao Brasil. Rio de Janeiro: Globo Livros.
GUTIERREZ, Ester Judite Bendjouya. 2004. Barro e sangue. Pelotas: UFPelotas.
IVO, Isnara Pereira. 2009. Homens de Caminho: Trânsitos, Comércio e Cores nos Sertões da América Portuguesa – Século XVIII. Tese de Doutorado em História, UFMG, Belo Horizonte.
MAESTRI, Mário. 2014. Pampa negro – agitações, insubordinações e conspirações servis no Rio Grande do Sul, 1803-1850, Sankofa. Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana, Ano VII, n. XIII.
MANNHEIM, Karl. 1982. O problema sociológico das gerações. Mannheim – Coleção Grandes Cientistas Sociais, Organizadora: Marialice Mencarini Foracchi. São Paulo: Ática.
MARTINS, Roberto Borges. 2018. Crescendo em Silêncio – A Incrível Economia Escravista de Minas Gersis no Século XIX. Belo Horizonte: ICAM -nABPHE.
MONSMA, Karl. 2010. Vantagens de imigrantes e desvantagens de negros: emprego, propriedade, estrutura familiar e alfabetização depois da abolição no oeste paulista. Dados, vol. 53, n. 3, pp. 509-543.
MOREIRA, Márcia Estefânia da Costa Berbare. 2012. Contribuições femininas: sentidos e práticas sociais. in: Lourdes Conde Feitosa; Pedro Paulo Funari e Terezinha Santarosa Zanlochi (orgs.), As veias negras do Brasil: conexões brasileiras com a África. Bauru: Edusc.
MUNIZ, Danielle Mendes; ZIMMERMANN, Tânia Regina. 2018. Da injúria racial à violência institucional: interseccionalidade da violência de gênero sob a perspectiva da mulher negra. Direitos Culturais, v. 13, n. 29, p. 125-142.
NOGUERÓI, Luiz Paulo Ferreira. 2005. Preços de bois, cavalos e escravos em Porto Alegre e em Sabará, no século XIX – mercadorias de um mercado nacional em formação. Ensaios FEE, v. 26, Número Especial, p. 7-36.
PAIVA, Eduardo França. 2009. Escravos e Libertos nas Minas Gerais do Século XVIII: Estratégias de Resistência através dos Testamentos. São Paulo: Annablume.
PERRON, Tâmis. 2022. Escravidão e as fundações da ordem constitucional moderna: representação, cidadania, soberania, c. 1780-c. 1830. Topoi (Rio J.), Rio de Janeiro, v. 23, n. 51, p. 699-740, set./dez.
PARSONS, Arthur S. 1978. Interpretive sociology: the theoretical significance of Verstehen in the constitution of social reality, Human Studies, 1, p.111-137.
ROSENTHAL, Gabriele (org.). 1997. Der Holocaust im Leben von drei Generationen – Familien von Überlebenden der Shoah und von Nazi-Tätern. Giessen: Edition Psychosozial.
ROSENTHAL, Gabriele. 2014. Pesquisa social interpretativa: uma introdução. Porto Alegre: Edipucrs.
ROSENTHAL, Gabriele. 2017. História de vida vivenciada e história de vida narrada. Porto Alegre: Edipucrs.
SAMPECK, KATHRYN; FERREIRA, Lúcio Menezes. 2020. Delineando a Arqueologia Afro-Latino-Americanada escravidão e arqueologia pública: algumas interfaces. Vestígios, vol. 14, nr. 1.
SANTOS, Gyme Gessyka Pereira; SALES, Sandra Regina. 2018. A mulher negra brasileira, miscigenação e o estupro colonial: o mito da democracia racial e o reforço de estereótipos racistas e sexitas. Caderno Espaço Feminino, v. 31, n. 1.
SANTOS, Hermílio. 2017. A sociologia de Alfred Schütz, in: Carlos Eduardo Sell e Carlos Benedito Martins (orgs.), Teoria sociológica contemporânea – Autores e perspectivas. São Paulo: Anna Blume e SBS.
SANTOS, Hermílio. 2021. On Relevance and Experience: Gabriele Rosenthal’s Biographical Research from a Schutzian Perspective. In: Köttig, Michaela; Witte, Nicole (eds.), Biographie und Kollektivgeschichte. Weinheim: Beltz Juventsa.
SCHÜTZ, Alfred. 2003. Theorie der Lebenswelt 1 – Die pragmatische Schichtung der Lebenswelt. (Alfred Schütz Werkausgabe Band V.1, organizado por Martin Endreß e Ilja Srubar). Konstanz: UVK.
SCHÜTZ, Alfred; LUCKMANN, Thomas. 2023. Estruturas do Mundo da Vida. Porto Alegre: Edipucrs.
SCHÜTZE, Fritz. 1983. Biographieforschung und narratives Interview, Neue Praxis, Heft 3, p.283-293.
SCHWARZ, Lilia M.; STARLING, Heloisa M. 2015. Brasil: Uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras.
SILVA, Fernanda da Silva. 2017. As Lutas Políticas nos Clubes Negros: Culturas Negras, Racialização e Cidadania na Fronteira Brasil-Uruguai no Pós-Abolição (1870-1960), Tese de Doutorado, PPGH-UFRGS, Porto Alegre.
WELLER, Wivian. 2010. A Atualidade do Conceito de Gerações de Karl Mannheim, Revista Sociedade e Estado, vol. 25, n.2.
VÖLTER, Bettina. 2003. Judentum und Komunismus. Brdrich: Leverkusen.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Categorias
Licença
Copyright (c) 2026 ILUMINURAS

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Todo o conteúdo do periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons do tipo atribuição BY-NC.
O envio dos trabalhos implica a cessão imediata e sem ônus dos direitos de publicação para a revista, a qual é filiada ao sistema Creative Commons, atribuição CC BY-NC (https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/). O autor é integralmente responsável pelo conteúdo do artigo e continua a deter todos os direitos autorais para publicações posteriores do mesmo, devendo, se possível, fazer constar a referência à primeira publicação na revista. Esta não se compromete a devolver as contribuições recebidas.
O(s) autor(es) que submete (m) artigos para publicação na revista Iluminuras são legalmente responsáveis pela garantia de que o trabalho não constitui infração de direitos autorais, isentando a Revista Iluminuras quanto a qualquer falha quanto a essa garantia.