Do quarto de despejo à universidade
Carolina Maria de Jesus na minha formação em psicologia
DOI:
https://doi.org/10.22456/1984-1191.152226Palavras-chave:
Carolina Maria de Jesus, Formação em Psicologia, Psicologia DecolonialResumo
A pesquisa foi motivada por inquietações durante minha formação, especialmente pela ausência de autoras(es) negras(os) como referências teóricas na matriz curricular do curso de Psicologia, o que limita a produção de conhecimento baseada em epistemologias subalternizadas. O objetivo foi compreender os impactos da leitura de Quarto de Despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, na minha formação. Trata-se de uma pesquisa narrativa (auto)biográfica que utiliza trechos da obra em diálogo com minhas inquietações, articulando autoras(es) decoloniais. Entre os principais impactos, destaca-se o reconhecimento de minha identidade como mulher negra e a compreensão da negritude como processo marcado por subjetivações. Observa-se que a discussão sobre a população negra é recente na Psicologia e influencia a formação acadêmica, visto que a distribuição dos temas na matriz curricular revela o que é considerado relevante para a atuação profissional. Ainda há muito a ser (des)construído e (re)inventado no campo acadêmico e na práxis.
Downloads
Referências
AKOTIRENE, Carla. O que é interseccionalidade? São Paulo: Editora Letramento, 2018.
AMORIM, Rayanne Caroline da Silva; OLIVEIRA, Érika Cecília Soares. A escrita de Carolina Maria de Jesus como instrumento de intervenção política. In: OLIVEIRA, Érika Cecília Soares; MESQUITA, Marcos Ribeiro; SOUZA, Tatiana Machiavelli Carmo (org.). Feminismo, psicologia e resistências contemporâneas. Maceió: EDUFAL, 2020. p. 156-175.
ANSELMO, A. dos S. OS IMPACTOS DA COLONIZAÇÃO : EPISTEMICÍDIOS NA
PSICOLOGIA. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), [S. l.], v. 13, n. 35, p. 441–463, 2021. Disponível em: https://abpnrevista.org.br/site/article/view/917. Acesso em: 2 out. 2025.
ALÓS, Anselmo Peres. Literatura e intervenção política na América Latina: relendo Rigoberta Menchú e Carolina Maria de Jesus. Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Diálogos Interamericanos, v. 38, p. 139-162, 2009. Disponível em: http://www.cadernosdeletras.uff.br/joomla/images/stories/edicoes/38/ artigo8.pdf. Acesso em: 20 de abr de 2021.
CARNEIRO, Aparecida Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Tese (Doutorado em Filosofia da Educação) — Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
CARVALHO, Lina Ferrari de; COSTA, Lanna Carolyna Vieira da. Para não deixar a tinta coagular na caneta: feminismos decoloniais e psicologia. In: NETO, José Maria Neto (org.). Gênero, mulheres, raça e classe afroindígena-latino-americanos. Sobral: Editora Faculdade Luciano Feijão, 2021. p. 101-138.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de ética profissional do psicólogo. Brasília, DF: CFP, 2005. Disponível em: <https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia-1.pdf>. Acesso em: 01 de out. 2025.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Relações raciais: referências técnicas para atuação de psicólogas/os. Brasília: CFP, 2017. Disponível em: <https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2017/09/relacoes_raciais_baixa.pdf>. Acesso ecm: 01 de out. 2025.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) com povos tradicionais. Brasília: CFP, 2019. Disponível em: <https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2019/12/CFP_PovosTradicionais_web.pdf>. Acesso em 01 de out. 2025.
DEVULSKY, Alessandra. Colorismo. São Paulo-SP: Jandaíra, 2021.
FERREIRA, Luiz Carlos Pinheiro. Mo(vi)mentos autobiográficos: historiando fragmentos narrativos de experiências de vida docente e discente em artes visuais. Tese (Doutorado em Arte e Cultura Visual) — Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2015.
FILHO, Everaldo Lauirtzen Lucena. L. L.; SILVA, Isis Lima da. O processo de colonização e os possíveis impactos na psicologia da atualidade. Rev Psicologia e Saberes, v. 7, n.9, p. 107 117, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.3333/ps.v7i9.857
FASANO, Edson. Pensamento contra-hegemônico: epistemologia freireana e pedagogias do Sul.
Educação & Linguagem, v. 19, n. 1, p. 223-243, 2016.
GELEDÉS. E não sou uma mulher? – Sojourner Truth. 2014. Disponível em: https://www.geledes.org.br/e-nao-sou-uma-mulher-sojourner-truth/. Acesso em: 25 set. 2025.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
GOMES, Geisiane Anatólia. Decolonialismo e crítica à história única: possibilidades para a historiografia sobre os povos originários do Brasil Mariana. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas e Sociais) — Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2018.
GORJON, Milena Garcia; MEZZARI, Danielly Christina de Souza; BASOLI, Laura Pampana. Ensaiando lugar de escuta: diálogos entre a psicologia e o conceito de lugar de fala. Quaderns de Psicologia, v. 21, n. 1, p. 1455, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.5565/rev/qpsicologia.1455
JACINTO, Pablo Mateus dos Santos; SANTOS, Joseane Vilarino da Cruz; SANTOS, Gerluce de Jesus; SANTOS FILHO, Adelmo dos. Negras intelectuais e ensino de psicologia: epistemicídio e representatividade. Revista Com Ciência - Multidisciplinar, v. 5, n. 7, p. 67-76, 2023. https://doi.org/10.36112/issn2595-1890.v5.i7.p67-76.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014.
KERR, Lígia Regina Franco Sansigolo; KENDALL, Carl. A pesquisa qualitativa em saúde. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, Fortaleza, v. 14, n. 6, p. 1061-1063, 2013. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/3240/324029419001.pdf. Acesso em: 22 out. 2020.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Tradução de Jess Oliveira. 2. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
LIMA, Paulo Gomes. Pesquisa qualitativa em educação: estratégias predominantes. Ensaios Pedagógicos, Sorocaba, v. 2, n. 1, p. 1-2, 2018.
LITERAFRO – Literatura e Afrodescendência no Brasil. Carolina Maria de Jesus. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2025. Disponível em: <http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/58-carolina-maria-de-jesus>. Acesso em: 02 de out.2025.
LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas, v. 22, n. 3, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/%25x
MALDONADO-TORRES, Nelson. A topologia do ser e a geopolítica do conhecimento: modernidade, império e colonialidade. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (org.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2013. p. 337-382.
MOMBAÇA, Jota. Palestra proferida no Ciclo de Conferências Vozes do Sul: lugar de fala, 2017. [Facebook]. Disponível em: <https://www.facebook.com/jeferson.isaac/videos/1565383996857643>. Acesso em: 10 maio 2021.
MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2019.
NEVES, Josélia Gomes. Cultura escrita e narrativa autobiográfica: implicações na formação. In: CAMARGO, Maria Rosa (org.); SANTOS, Valdeci Cláudia de Carvalho (colab.). Leitura e escrita como espaços autobiográficos de formação. São Paulo: Editora UNESP; Cultura Acadêmica, 2010. p. 123-140. Disponível em: http://books.scielo.org/id/zz66x/pdf/camargo-9788579831263-09.pdf. Acesso em: 22 out. 2020.
PASSEGI, Maria da Conceição; SOUZA, Elizeu Clementino de; VICENTINI, Paula Perin. Entre a vida e a formação: pesquisa (auto)biográfica, docência e profissionalização. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 27, n. 1, p. 369-386, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-46982011000100017
PINANGÉ, Daniella Sotero de Barros; et al. “Quarto de despejo”: relato de uma vivência dialogada.
Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 15, n. 2, p. 1-12, 2020. Disponível em:
https://pepsic.bvsalud.org/pdf/ppp/v15n2/04.pdf. Acesso em: 25 mar. 2021.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117-142. Disponível em: https://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/CLACSO/14084/1/colonialidade.pdf. Acesso em: 23 set. 2020.
RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala?. Belo Horizonte: Letramento, 2017.
SANTOS, Jociane Marthendal Oliveira; ESTEVAM, Rebeca Anselmo; MARTINS, Thiago de Melo. Pesquisa (auto)biográfica. Ensaios Pedagógicos, v. 2, n. 1, p. 45-53, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.14244/enp.v2i1.64
SCHUCMAN, Lia Vainer. Famílias inter-raciais: tensões entre cor e amor. Salvador: EDUFBA, 2023.
SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro: ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.
DOS SANTOS, Maria Lúcia Pacheco Duarte.; CAVALCANTE, Cláudia Valente.; OLIVEIRA, Daniele Lopes. Epistemologias contra-hegemônicas para internacionalização da educação superior. Revista Fragmentos de Cultura - Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas, Goiânia, Brasil, v. 34, n. 4, p. 697–705, 2024.
Disponível em: https://doi.org/10.18224/frag.v34i4.14286
SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o Subalterno falar?. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.
VEIGA, Ana Maria. Uma virada epistêmica feminista (negra): conceitos e debates. Revista Tempo e Argumento, v. 12, n. 29, p. 1-15, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.5965/2175180312292020e0101
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 ILUMINURAS

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
-
Todo o conteúdo do periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons do tipo atribuição BY 4.0.
O envio dos trabalhos implica a cessão imediata e sem ônus dos direitos de publicação para a revista, a qual é filiada ao sistema Creative Commons, atribuição CC 4.0. O autor é integralmente responsável pelo conteúdo do artigo e continua a deter todos os direitos autorais para publicações posteriores do mesmo, devendo, se possível, fazer constar a referência à primeira publicação na revista. Esta não se compromete a devolver as contribuições recebidas.
-
O(s) autor(es) que submete (m) artigos para publicação na revista Iluminuras são legalmente responsáveis pela garantia de que o trabalho não constitui infração de direitos autorais, isentando a Revista Iluminuras quanto a qualquer falha quanto a essa garantia.