RETRATOS DE UM SUS COLONIZADO: SIGNOS E SÍMBOLOS DA MEMÓRIA ANCESTRAL DA BRANQUITUDE EM ARACAJU

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1984-1191.133304

Palavras-chave:

Branquitude, Saúde Coletiva, Memória Ancestral, Aracaju, Estudos Críticos de Discurso

Resumo

Este artigo explora alguns símbolos e signos da Rede de Atenção à Saúde de Aracaju que evocam a memória ancestral da branquitude no âmbito do SUS. Desnaturaliza discursos que legitimam relações de poder assimétricas em desfavor de grupos racializados. A corpora analítica corresponde a arquivos digitais e históricos contemplando textos de circulação na internet, fotografias, autobiografia e cartazes com imagens usadas pela equipe de saúde como recursos pedagógicos. A análise ancora-se nos Estudos Críticos da branquitude em diálogo com os Estudos Críticos do Discurso. O acervo examinado comprova a recorrente ativação de elementos que evocam o direito à memória de pessoas brancas de forma quase compulsiva, enquanto o grupo racial que depende exclusivamente do SUS para prover seus cuidados em saúde, permanece em condição subalterna, desprovidos de agência, identificação e representação social.

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Publicado

2023-10-07

Como Citar

ANACLETO DE JESUS MORAIS DE ALMEIDA, R. RETRATOS DE UM SUS COLONIZADO: SIGNOS E SÍMBOLOS DA MEMÓRIA ANCESTRAL DA BRANQUITUDE EM ARACAJU . ILUMINURAS, Porto Alegre, v. 24, n. 65, p. 246–268, 2023. DOI: 10.22456/1984-1191.133304. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/iluminuras/article/view/133304. Acesso em: 23 fev. 2024.