Censura à arte como supressão da esfera pública: algumas observações filosóficas sobre 'artivismo', política e dissidências sexuais e de gênero.

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DOI:

https://doi.org/10.22456/1984-1191.116362

Resumo

Resumo

O artigo trata da questão da censura à arte no contexto brasileiro recente, enfocando aqueles casos em que o ato censório foi motivado por uma tentativa de supressão das dissidências – pela via da arte – à normatização da perspectiva binária para a compreensão da identidade de gênero e da perspectiva heterossexual para a compreensão da sexualidade. O caso da exposição Bio-I do artista David Ceccon, em 2019, será escolhido como paradigma para a investigação da questão de censura sobretudo por ter gerado um relevante debate público por meio de uma constelação discursiva (cobertura jornalística, textos de opinião, reflexivos, comentários públicos, etc.) que analisaremos, sobretudo, porque entre eles aparecem enunciados pró-censura. Dado o potencial de agenciamento das pautas LGBTQIA+ pela arte, ela ingressa, ao aparecer publicamente, numa franca disputa pelo espaço social e público que analisaremos, sobretudo, a partir de Arendt (2007) e Rancière (2009 e 2019).

Palavras-chave: Censura artística. Artes Visuais. Filosofia da Arte. Política. Rancière. Arendt.

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Biografia do Autor

Guilherme Mautone, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Bacharel, Mestre e Doutor em Filosofia (UFRGS)
Editor de Filosofia da Revista PHILIA
Membro do Colegiado Setorial de Artes Visuais da SEDAC (RS)
Docente convidado da Casamundi Cultura e da CCMQ.

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Publicado

2021-12-31

Como Citar

MAUTONE, G. Censura à arte como supressão da esfera pública: algumas observações filosóficas sobre ’artivismo’, política e dissidências sexuais e de gênero. ILUMINURAS, Porto Alegre, v. 22, n. 59, 2021. DOI: 10.22456/1984-1191.116362. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/iluminuras/article/view/116362. Acesso em: 4 fev. 2023.