CEMITÉRIOS MUÇULMANOS EM RABAT, MARROCOS: Territorialização espiritual na paisagem urbana
Resumen
O artigo analisa os cemitérios muçulmanos de Rabat (Marrocos) como espaços de territorialização espiritual, integrados à paisagem urbana, à memória coletiva e à teologia da morte. A partir de fotografias de campo e de uma descrição densa, evidencia como a repetição de lápides caiadas, a orientação das sepulturas para Meca, a simplicidade material e o simbolismo da cor branca configuram uma estética funerária marcada pela humildade e pela transcendência. O estudo mobiliza autores árabes e magrebinos em diálogo com a antropologia interpretativa para mostrar que o cemitério não é resíduo da cidade moderna, mas um marco urbano ativo que sacraliza o solo, organiza sociabilidades e mantém viva a memória comunitária. São explorados também os rituais de morte e luto, as práticas de gênero (como o luto em branco das viúvas) e os circuitos de solidariedade (zakat e caridade), concluindo que esses espaços funcionam como infraestrutura moral e espiritual da cidade.