ANTIFEMINISMOS CRISTÃOS E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADES
PÓS-FEMINISMO, AUTOAJUDA E MORAL RELIGIOSA NO GODLLYWOOD BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-8136.149981Resumo
Análises sobre os antifeminismos cristãos no Brasil têm privilegiado, desde a concepção desses fenômenos como contramovimentos, a performance de diferentes atores que vêm se destacando no papel que desempenham nas reações coletivas aos movimentos feministas, às suas agendas e às transformações sociais por eles propiciadas nas últimas décadas. Este artigo dialoga com esses estudos, concentrando-se, porém, em uma forma de expressão difusa, marcada por relações ambivalentes com os feminismos, que mobiliza de forma parcial e seletiva seus temas e debates na construção de um imaginário sobre os feminismos e na formulação de um modelo tradicional de feminilidade como horizonte normativo para as mulheres. Tomando como caso de estudo o Godllywood Brasil, vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), o artigo analisa as interseções entre pós-feminismo e religião nos discursos de mulheres em posição de visibilidade no projeto-movimento, em diferentes dispositivos de circulação de ideias (livros, blog, YouTube e Instagram), entre 2010 e 2020. Evidenciando como a linguagem de autoajuda permite que essas interlocutoras construam um posicionamento antifeminista organizado em uma “gramática pós-feminista espiritual” que opera na ambivalência, o artigo oferece um enquadramento analítico para pensar as articulações entre religião, cultura e antifeminismos contemporâneos, ao lançar luz sobre formas de expressão antifeministas que se configuram a partir de práticas de produção de subjetividades.
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