“NÃO QUERO PARECER CRENTE”
CORPO, ESTÉTICA E DISTINÇÃO NA PRÁTICA DA MODÉSTIA CATÓLICA NO VESTIR
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-8136.149915Resumo
A partir do conteúdo disponibilizado em espaços virtuais criados e mantidos por mulheres católicas adeptas da prática da modéstia no vestir, este artigo pretende analisar como corpo e estética são mobilizados no estabelecimento de distinções sociais, morais e religiosas entre fiéis de diferentes vertentes do cristianismo contemporâneo – notadamente católicas tradicionais e protestantes pentecostais e neopentecostais que são pejorativamente identificadas como “crentes”. Em um primeiro momento, examinamos a construção de um modelo ideal de “mulher modesta” a ser atingido no catolicismo a partir de discursos teológicos de fundo moral e técnicas corporais difundidas através de textos autorais, documentos da Igreja e ilustrações artísticas criadas por fiéis que se dedicam à divulgação da modéstia na internet. Posteriormente, considerando o impacto de múltiplos marcadores sociais da diferença, tal como classe e raça, examinamos como essa prática religiosa de inspiração mariana evidencia o entrelaçamento entre corpo, estética e moralidade a partir de argumentos de autoridade e categorias de acusação de que evidenciam tensões e disputas no campo religioso contemporâneo.
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