O texto investiga o recurso à figura de Palas Atena em textos de Gottfried Benn, Ingeborg Bachmann e Paul Celan, que se relacionam em larga medida por suas diferenças no âmbito da literatura do pós-Segunda Guerra. De todo modo, Atena serve, em cada caso, como figura de identificação poética. Entre outras coisas, isto desloca a sua tradicional associação com o pensamento filosófico, através do símbolo da coruja, para a poesia. Mostra, assim, projetos poéticos que diversamente consideram dinâmicas da mente, do intelecto, e desenvolvem-se num plano da abstração. Mas, ao mesmo tempo, eles também se voltam à materialidade de sua representação textual e à corporeidade da figura representada, aspectos tematizados nos próprios textos. Nas seções, perscruta-se como Atena, que conta entre suas características o enxergar além, o que as pessoas não veem ou não querem ver, é vinculada, a cada vez, a elementos da própria literatura e poesia. O centro da análise aqui conforma o poema “Mein Vogel” (“Meu pássaro”), de Bachmann. Trata-se, nas representações examinadas, de Atena ‘num mundo devastado’, ameaçado de destruição. Isto cria um contraste com sua imagem advinda da Antiguidade de deusa intocável, com sua característica de inviolabilidade. Por fim, é sugestivo que investigações acerca da elaboração da figura de Atena possam contribuir para a compreensão do tratamento de questões poético-estéticas, que se mesclam a questões político-culturais, no âmbito da própria literatura moderna.
Palavras-chave: poesia do Pós-Guerra; Palas Atena; Ingeborg Bachmann; poetologia.