Resumo: O artigo analisa a peça Roque Santeiro ou O Berço do Herói, de Dias Gomes, pela luz dos conceitos de Cultura Fechada e Cultura Aberta desenvolvidos por LUKÁCS (1999). Utilizando as acepções sobre o drama trazidas por SZONDI (2001) e HÖLDERLIN (2010) quanto à necessidade de conflito e a importância do diálogo no teatro. Relacionando, então, estas acepções aos estudos de ROSENFELD (1996) e SACRAMENTO (2012) sobre a obra de Dias Gomes, com especial foco na figura do herói. A partir disto, debate-se acerca da luta constante entre o personagem Roque Santeiro e a figura da cidade de Asa Branca (também personagem integrante da peça de Dias Gomes). Observa-se que é neste embate que o drama floresce, criando imagens antagônicas para um mesmo personagem (Roque Santeiro), que transita entre mito e realidade. Enquanto a morte mítica de Roque Santeiro é o alicerce para a cidade de Asa Branca, o Roque-Real surge como ameaça para a existência de todos. É entre bordeis e bebedeiras que Roque passa seus dias, ao contrário do mito estabelecido do herói sóbrio e virginal. De figura humana e falível, personagem problemática, Roque transforma-se em herói ao recusar-se a morrer em prol do sucesso de Asa Branca.
Palavras-chave: Dias Gomes; Roque Santeiro; Drama; Lukács; Rosenfeld; Hölderlin.