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Artigos de temática livre

Bd. 13 Nr. 1 (2025): Dossiê "A nova sociologia alemã da literatura II: estudos sobre censura"

Criação sem criador: Uma análise das teorias de tradução de Yoko Tawada em “Tawada Yoko não existe” em diálogo com Jorge Luis Borges em “A biblioteca de Babel”

Eingereicht
Mai 3, 2025
Veröffentlicht
2025-07-20

Abstract

A tradução, enquanto prática literária e reflexão crítica, é tema recorrente nas obras de Yoko Tawada e de Jorge Luis Borges. Com este artigo, objetiva-se traçar um paralelo entre conceitos desses dois autores, cujas produções ficcionais incorporam e tensionam concepções teóricas acerca da língua, da autoria e da originalidade, tendo-se em vista o fato de que partem de contextos históricos e culturais bastante distintos:  Tawada, escritora nipo-germânica, apresenta sua narrativa em 2004, em uma conferência em San Diego, e Borges, escritor argentino, publica seu conto na Argentina da década de 1940. Os autores desenvolvem, cada um à sua maneira, uma abordagem em que a escrita literária e a tradução se apresentam como práticas indissociáveis, funcionando como ponto de partida para reflexões estéticas e teóricas. Ambos situam a tradução em uma perspectiva crítica que evidencia como as posições políticas e hierárquicas dos envolvidos no circuito de leitura e escritura moldam tanto a abordagem quanto o discurso utilizado para estabelecer distinções entre o texto original e o texto traduzido. Para abordar as reflexões que Tawada e Borges articulam em torno da tradução, este artigo analisa as narrativas “Tawada Yoko não existe” (2017), de Tawada, e “A biblioteca de Babel” (1974)[1944], de Borges, com fundamentação teórica constituída sobretudo em ensaios críticos assinados pelos próprios autores. Inicialmente apresenta-se brevemente as concepções de literatura e tradução em Tawada e em Borges, de modo a contextualizar sua aplicação nas narrativas selecionadas. Em seguida, as obras serão analisadas com atenção à forma como os conceitos discutidos se manifestam na ficção. A distância das circunstâncias históricas e culturais em que escrevem contribui para evidenciar o alcance universal e a permanente atualidade das questões ligadas à tradução, especialmente quando observadas a partir de perspectivas não-hegemônicas. Embora abordem o tema por caminhos diversos, os dois autores convergem em pontos fundamentais, como a crítica à noção de originalidade dos textos e a problematização da figura do autor, aspectos que estarão no centro da análise aqui proposta. A partir disso, evidenciam-se alguns dos preceitos fundamentais da criação literária e da tradução, explorando como imagens ficcionais podem funcionar como veículos de crítica e de teoria.

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