Ao desconstruímos, neste ensaio, o conceito Monstruosidade apresentamos as
pretensões dos “níveis de malevolência” nos estereótipos da feiura advindos de personificações
tais como o Golem, o Ciclope ou as personagens bestiais made in Hollywood – em sua maioria,
discursos preconceituosos contra a Alteridade. Dito isso, o problema do mal será considerado
aqui a partir da condição de inescapabilidade em face de imensos acontecimentos, dentro dos
quais o homem se encontra implicado – disso conceituamos Monstruosidade em correlação com o
Mal e o Inescapável. Assim, este texto objetiva investigar tal conceito na imanência dos
acontecimentos de A Metamorfose, de Franz Kafka. Para isso, nossas hipóteses são: a) a
Monstruosidade se configura tanto mais quanto maior for à inescapabilidade dos fatos nos quais
os homens são vitimados; b) o homem não é monstro nem algoz em si, mesmo que se revista de
fealdade de aparência; c) o Mal se constitui através dos acontecimentos caudalosos e
sequenciados da história humana nos quais os homens se engajam; d) inocência e culpa se
constituem em arbitrariedades no regime de monstruosidade. Assim, efetuamos uma pesquisa
textual de cunho filosófico e literário, sobre o texto de Kafka em busca destas questões.