A história do libreto é tão antiga quanto a da ópera, e sem ele a ópera seria inimaginável. Todavia, visto por tanto tempo apenas como um livro pequeno, incompleto e dependente da música, é somente a partir do final do século XX que o libreto passa a despertar interesse como objeto de estudo científico, e uma nova ciência se apresenta: a libretologia. Considerando que a musicologia aborda o libreto a partir da sua recepção pela ópera, enquanto o teatro se preocupa mais com a performance, teóricos como Ulrich Weisstein (1982), Albert Gier (1998) ou Tina Hartmann (2017) reivindicam o estudo do libreto para o campo das letras e defendem uma ciência que se dedique ao estudo do libreto a partir de suas próprias especificidades. A proposta deste artigo é introduzir a libretologia no campo das ciências da língua e da literatura, chamando a atenção para as qualidades e funções do libreto, em defesa do seu reconhecimento como um importante gênero literário.