Evelyn Scott (1893-1963) foi uma escritora da elite americana que, ainda menor de idade, fugiu com um renomado pesquisador, casado e pai de quatro filhos, para viver uma espécie de exilio autoimposto no Brasil, entre 1914-1919. Mas a terra idealizada como refúgio tropical provou ser o desafio em que Evelyn Scott lutaria para sobreviver doença, pobreza e isolamento em um país cuja cultura e língua lhe eram completamente desconhecidas. Uma das formas de expressão do escritor(a) exilado(a) se realiza através de escritas da vida, como autobiografias. Este trabalho objetiva analisar a autobiografia Escapada (2019 [1aed.1923]), de Evelyn Scott, a partir das perguntas: Oriunda da elite sulista americana, como o ato de descrever o cotidiano de pobreza no Brasil pode ter ajudado Evelyn Scott a enfrentar as dificuldades da nova realidade e, ao mesmo tempo, prover os fundamentos da escritora de sucesso que ela se tornaria ao retornar para seu país de origem? Quais dificuldades específicas foram determinantes para a forma e o conteúdo de Escapada?