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Ensaio

v. 21 n. 34 (2026): Escritas da Urbe: Disputas, Afetos e a Reinvenção de Porto Alegre na Literatura e nas Artes (2009-Presente)

A Porto Alegre de Os meninos do lago da Redenção (2025)

DOI
https://doi.org/10.22456/2594-8962.155512
Enviado
15 maio 2026
Publicado
02-08-2026

Resumo

O presente trabalho analisa a construção da espacialidade urbana em Os meninos do Lago da Redenção (2025), de Gustavo Rodrigues, com foco na representação da cidade de Porto Alegre e nas relações entre espaço, desigualdade social e racismo presentes na narrativa. Partindo das reflexões de Percy Lubbock, Osman Lins e Umberto Eco acerca da espacialidade ficcional, o estudo compreende a cidade não apenas como cenário, mas como elemento estruturador da narrativa. Para a análise, foram elaborados mapas a partir do Google Maps, nos quais se identificam os lugares mencionados ao longo da obra e os trajetos percorridos pelas personagens. A investigação demonstra que a Porto Alegre construída pelo romance evidencia uma cartografia marcada por divisões sociais e raciais, na qual a circulação das personagens periféricas ocorre sob constante vigilância e exclusão simbólica. Além disso, o trabalho discute a representação dos espaços periféricos como territórios de pertencimento e afeto, contrapondo leituras estigmatizantes da periferia urbana. Conclui-se que o romance utiliza a cidade como instrumento crítico para problematizar o racismo estrutural, a criminalização da pobreza e as desigualdades presentes na experiência urbana contemporânea.

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