Tendo em vista os 50 anos de publicação de Semântica e Discurso, o objetivo deste artigo é o de explicitar a formulação do primado da metáfora sobre o sentido e situá-lo na elaboração da teoria materialista do discurso que Pêcheux na obra. Em primeiro lugar, explorar como ele o desenvolve especificamente na segunda parte do livro, através da interpretação crítica do “materialismo cego” de Frege, retomando, ainda que implicitamente, proposições sobre o discurso já expressas em sua Análise Automática do Discurso. Em seguida, apresenta-se a proposição do primado da metáfora nas conclusões de Semântica e Discurso, cotejando-a com outros textos que permitam melhor compreendê-lo. Ao final, são tecidas algumas considerações sobre a indiscutível atualidade da obra e de sua teoria frente ao quadro geral da Análise do Discurso hoje.