Este artigo estrutura-se em torno de dois grandes propósitos. O primeiro consiste em um rastreamento analítico do lugar teórico do imaginário em Les vérités de La Palice. Defende-se que o imaginário pode estar articulado em três planos: no primeiro, o imaginário opera como o espaço do como se, que mascara a descontinuidade epistemológica entre objeto real e objeto de conhecimento. No segundo, atua no ponto em que o sentido se apresenta como inerente às palavras, recobrindo sua materialidade e produzindo uma ilusão de transparência necessária ao funcionamento discursivo. No terceiro, o imaginário emerge como instância de identificação, ali onde o sujeito se constitui na e pela forma-sujeito da interpelação ideológica, isto é, o “eu-moi” imaginário como “sujeito de discurso”. O segundo objetivo deste artigo é expor a fecundidade desses aportes pecheutianos sobre o imaginário para distintas análises das relações entre espaço, sujeito e sentido, e propor, ainda, modos pelos quais o estudo do espaço pode contribuir para o desenvolvimento dessa perspectiva materialista. Para isso, oferecemos uma releitura de investigações realizadas pelas autoras deste artigo em torno da produção social de espaços de fronteira e de processos de paisagização.