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Artigos

v. 20 n. 33 (2025): Les vérités de La Palice: 50 Anos

A autonomia relativa da língua e o Curso de Linguística Geral

  • Edmundo Narracci Gasparini
DOI
https://doi.org/10.22456/2594-8962.150301
Enviado
21 outubro 2025
Publicado
24-12-2025

Resumo

Ao forjar sua teoria do discurso em Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio, Michel Pêcheux refere-se, a partir de Paul Henry, à autonomia relativa do sistema linguístico ao propor a distinção entre base linguística e processo discursivo. A autonomia da língua é relativa porque, conforme indica Pêcheux, a separação entre base linguística e processo discursivo não pode ser definida de uma vez por todas, ela é submetida a uma transformação histórica por um efeito em retorno dos processos discursivos sobre a língua. Argumentamos aqui que a perspectiva delineada por Michel Pêcheux, de acordo com a qual  há uma distinção entre base linguística (dotada de uma autonomia relativa) e processos discursivos (que exercem um efeito de retorno sobre a base linguística) corresponde a uma atualização da discussão saussuriana acerca da relação entre os pontos de vista sincrônico e diacrônico, de acordo com a qual há, entre sincronia e diacronia, autonomia e interdependência. O trabalho aponta, portanto, para uma inusitada consonância entre as elaborações de Pêcheux em Semântica e Discurso e a discussão saussuriana sobre sincronia e diacronia, a despeito da crítica explícita tecida por Pêcheux ao conceito saussuriano de fala.

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