O ensaio acadêmico-científico é um gênero ainda timidamente estudado na Linguística Aplicada brasileira. Além disso, parte majoritária desses trabalhos investigam o gênero em situações didáticas, considerando-o como um instrumento de avaliação. Entendendo a necessidade de considerar outros cenários de socialização do ensaio na Academia, neste artigo, objetivamos analisar as condições de produção de ensaios publicados em periódicos de excelência das áreas de Linguística e Literatura. Para tanto, apoiamo-nos no escopo teórico-analítico do Interacionismo Sociodiscursivo (Bronckart, 2023), para a análise de quatro (4) ensaios e as Diretrizes para Autores de seus respectivos periódicos de publicação. Tal análise, de natureza qualitativo-interpretativista, revela que raramente o ensaio é contemplado no repertório de gêneros elencados para publicação nos periódicos analisados; entretanto, são submetidos, avaliados e publicados expressivamente neles. Em vista disso, defendemos a tese de que o ensaio circula, metaforicamente, em clandestinidade e evoca, portanto, discussões acerca da – ausência de – validação do gênero na esfera acadêmico-científica.