Este artigo investiga as contribuições de Michel Pêcheux para a Análise do Discurso a partir do materialismo histórico, explorando a relação entre ideologia, discurso e a constituição do sujeito. O objetivo central é analisar como Pêcheux, fundamentado na teoria althusseriana, constrói o conceito de materialidade discursiva, articulando marxismo, psicanálise e linguística para compreender os mecanismos de poder e subjetivação nas práticas discursivas. Os resultados demonstram que a ideologia opera como uma prática material que atravessa o sujeito e se manifesta nas formações discursivas, sendo a luta de classes o princípio organizador que perpassa tanto as estruturas sociais quanto as formações discursivas e os processos de significação. A conclusão evidencia que, embora os Aparelhos Ideológicos de Estado atuem na reprodução da dominação, as fissuras inerentes ao discurso abrem espaço para a resistência. O conceito de desidentificação de Pêcheux surge como gesto político crucial, permitindo ao sujeito romper com as evidências ideológicas e engajar-se numa práxis transformadora, conforme sintetizado no imperativo “ousar pensar e ousar se revoltar”. O estudo reafirma a atualidade de obras como Les Vérités de la Palice (1975) de Pêcheux para a análise das contradições sociais e das possibilidades de emancipação.