Este trabalho trata da questão do perambular pela cidade de Porto Alegre em Solidão continental (2012), último romance publicado por João Gilberto Noll. Este livro destoa dos demais, se comparados à obra, porque o narrador-personagem busca esquecer, mais do que lembrar, e não consegue se reconhecer na própria cidade. Ao participar de uma reivindicação pública, por exemplo, não consegue sentir-se parte dela. Mesmo quando descobre onde está, acaba por perder as informações em poucos minutos, em um mecanismo psicológico repressivo, que visa atenuar a questão. A partir da teoria do flâneur e do caminhar urbano, investiga-se a questão da flânerie na perspectiva de tensão entre duas posturas: estar-se na cidade, caminhar por ela e, por outro lado, sentir-se ou não participante. Desta maneira, nota-se um flâneur idoso, que usa transporte público, mas sente-se invisível onde vive e destaca-se a importância da questão para estudos futuros, dado o envelhecimento acelerado da população brasileira.