Maldidier (1990) faz circular entre teóricos da Análise de discurso o momento em que Pêcheux (1975) promove uma reviravolta no empreendimento teórico iniciado em 1969: a maquinaria discursiva abre espaço para outro modo de empreender um trabalho rigoroso nas análises. Mas uma questão se mantém: como abordar o funcionamento do inconsciente e da ideologia na constituição do sujeito de forma rigorosa em sua base material, a língua? Dito isso, este artigo tem por objetivo compreender como um texto pouco conhecido entre analistas, datado meses após a morte de Pêcheux, de autoria de Cousin (1985), compreende e enaltece o trabalho teórico do filósofo francês, descrevendo com precisão como este intervém politicamente por meio da sua propositura teórica sobre os processos discursivos sem perder de vista os mecanismos linguísticos que os sustentam. Para tanto, o artigo será dividido em duas partes: a primeira, destinada a situar brevemente a influência de Althusser no empreendimento teórico de Pêcheux a partir da leitura de Cousin (1985); a segunda, por sua vez, proponho retomar a análise de Pêcheux (1975) em torno do problema das relativas no âmbito da linguística, sem perder de vista a leitura que Cousin faz do deslocamento proposto pelo filósofo francês.